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Brasil sofre com branqueamento em massa e morte de corais em 2024

Segundo um recente levantamento, o aumento da temperatura dos oceanos no último ano, agravado pelas mudanças climáticas, contribuiu para o pior resultado já registrado no Brasil.
Brasil sofre com branqueamento em massa e morte de corais em 2024Gettyimages.ru / vlad61

O aquecimento do oceano provocou grave ameaça aos recifes de coral na costa e nas ilhas oceânicas do Brasil, aponta um estudo elaborado a partir de monitoramento realizado ao longo de um ano, em 18 pontos estratégicos de cerca de 2.600 quilômetros de extensão, entre os litorais do Ceará e de Santa Catarina.

De acordo com o levantamento do projeto Coral Vivo, o aumento da temperatura dos oceanos em 2024, agravado pelas mudanças climáticas, resultou no branqueamento em massa e na mortalidade dos corais, sendo o pior resultado já registrado no Brasil.

O branqueamento ocorre devido ao estresse térmico, quando os corais expulsam as algas coloridas de seus tecidos, tornando-os pálidos e mais vulneráveis à fome e a doenças.

"O coral-de-fogo [Millepora alcicornis], que é uma espécie importante do Brasil, teve redução de 90% no branqueamento em 2019. Agora nós estamos terminando de calcular, mas estimamos números similares em 2024 nessas mesmas regiões", explicou Miguel Mies, oceanógrafo e pesquisador do Instituto Coral Vivo, em entrevista à Folha de S. Paulo.

Ele afirmou que, com a repetição do fenômeno, o Brasil está começando a perder essas espécies. Mies destacou ainda que as áreas com maior mortalidade dos corais estão em Maragogi (AL), Natal e Salvador.

Segundo o oceanógrafo, o coral-vela, ameaçado de extinção e endêmico do Brasil, sofreu grande mortalidade em 2019 e um impacto ainda maior em 2024. Ele ressaltou que o cenário continua se agravando.

Conforme dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), dos Estados Unidos, o fenômeno não afeta apenas o Brasil. Em 2024, o branqueamento em massa registrado ao redor do mundo atingiu uma expansão recorde.