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Entre Lula e Milei: Blinken está de visita na América do Sul

A viagem acontece em meio a uma crise entre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e Israel, e o apoio de Washington ao país hebreu.
Entre Lula e Milei: Blinken está de visita na América do SulGettyimages.ru / Andressa Anholete

O Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, está de visita ao Brasil e à Argentina, dois importantes parceiros na região sul-americana que se encontram politicamente afastados.

A visita tem como painel o conflito na Faixa de Gaza e a crescente crise diplomática entre Israel e o Brasil devido às declarações do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que comparou a situação no enclave palestino ao Holocausto.

A atitude de Lula contrasta fortemente com a do presidente argentino Javier Milei, que visitou recentemente o país judeu e selou sua aliança com o Governo de Benjamin Netanyahu.

Neste contexto, Lula encontrou-se com Blinken em Brasília, nesta quarta-feira, durante quase duas horas. "Foi um grande encontro e os EUA e o Brasil estão fazendo coisas importantes juntos", disse o diplomata norte-americano.

Por seu lado, o líder brasileiro disse que discutiram o G20, a iniciativa para melhorar as condições dos trabalhadores que lançou com o seu homólogo Joe Biden, a proteção ambiental, a transição energética, a expansão dos laços de investimento e cooperação entre os dois países e a paz na Ucrânia e em Gaza.

Lula viajou duas vezes aos EUA em 2023, em fevereiro e setembro, e em ambas as ocasiões encontrou-se com Biden, que ainda não visitou o país latino-americano. Os dois mandatários  compartilham opiniões sobre a mudança climática, os direitos laborais e o reforço das democracias. Mas agora as perspectivas são particularmente delicadas.

Lula disse no último domingo que o que está acontecendo na Faixa de Gaza é comparável ao Holocausto, porque é "uma guerra de um Exército altamente preparado contra mulheres e crianças". Israel declarou o presidente brasileiro "persona non grata" e, desde então, a situação só se agravou.

Os Estados Unidos, principais aliados internacionais de Israel, afirmaram que não estão de acordo com a posição de Lula e negaram o "genocídio" na Faixa de Gaza. Na terça-feira, vetaram pela terceira vez uma proposta de resolução do Conselho de Segurança da ONU que pedia um cessar-fogo no enclave palestino.

Gaza não é a única questão em que o Brasil e os EUA têm divergências. O conflito na Ucrânia e a situação na Venezuela também são assuntos controversos. O presidente brasileiro já se distanciou de Biden na sua tentativa de isolar a Rússia e expressou o seu desejo de que o seu homólogo russo, Vladimir Putin, participe na conferência de líderes do G20 no Rio de Janeiro.

Lula encontrou-se com o presidente Nicolás Maduro em maio do ano passado e os dois líderes relançaram as relações bilaterais que haviam sido afetadas por anteriores governos de direita no Brasil.

A relação entre os EUA e a Venezuela está passando por um momento de tensão, na sequência da desqualificação da líder da oposição María Corina Machado por ter cometido crimes graves contra a paz no país e das ameaças de Washington de não renovar as licenças emitidas em 2023 para permitir transações limitadas de petróleo, gás e ouro venezuelanos.

O chefe da diplomacia norte-americana para a América Latina, Brian Nichols, falou esta semana dos "laços importantes" do Brasil com a Venezuela e da "capacidade" de Brasília de "transmitir mensagens-chave" a Caracas.

Após o seu encontro com Lula, Blinken participará esta quarta-feira na reunião dos países membros do G20.

"Aliado e parceiro fundamental"

Na quinta-feira, o diplomata viajará a Buenos Aires para se encontrar com Milei. Estão previstas discussões sobre "questões bilaterais e globais", incluindo o crescimento econômico sustentável, o compromisso com os direitos humanos e a democracia. Também haverá discussão sobre "minerais críticos e o reforço do comércio e do investimento que beneficiam ambos os países".

A visita de Blinken se realiza após a visita, no início do mês, ao país sul-americano do subsecretário do Estado dos EUA, Brian Nichols, que qualificou a Argentina como "um aliado e parceiro fundamental para os EUA".

Nichols também elogiou o Governo de Milei, que está tentando implementar um plano de ajustes severo, incluindo cortes nos subsídios e a eliminação dos controles de preços, com um impacto entre os mais desfavorecidos. "Estou muito impressionado com a energia, as mudanças em curso no país e a determinação e os esforços dos argentinos para melhorar a situação e avançar", afirmou o responsável norte-americano.

Na mesma semana, Marco Rubio, senador republicano do estado norte-americano da Florida, sublinhou que, graças a Milei, a Argentina voltou a ser "um forte aliado" de Washington e de Israel.

"Com a ministra das Relações Exteriores, Diana Mondino, e o presidente Javier Milei, o governo da Argentina voltou a ser um forte aliado dos EUA e de Israel e um oponente dos marxistas, dos regimes terroristas e de narco-ditadores em todos os lugares", afirmou Rubio na rede social X após visitar Buenos Aires.