Saudita, psiquiatra e anti-islã: o estranho perfil do suposto autor do atentado em Magdeburgo

Um motorista utilizou um carro para atropelar uma multidão em um mercado de Natal na cidade alemã de Magdeburgo na noite de sexta-feira, deixando quatro pessoas mortas e mais de 200 feridas, informou o jornal Bild.
Como aponta a imprensa alemã, poucos detalhes da tragédia ainda são conhecidos: os motivos são desconhecidos e o nome do agressor permanece oficialmente não revelado.
Os policiais, no entanto, conseguiram prender um homem que, segundo informações preliminares, é um médico psiquiátrico de 50 anos de origem saudita que veio para a Alemanha em 2006 e mora em Bernburg, cerca de 50 quilômetros ao sul de Magdeburg.
A análise inicial de drogas do suposto autor do crime foi positiva, informou o Bild, indicando que ele estava sob efeito de estupefacientes no momento da ocorrência.
De acordo com informações obtidas pelo Die Welt, o suspeito teria trabalhado como médico em um hospital psiquiátrico em Bernburg, especializado na reabilitação e proteção de criminosos viciados. De acordo com o Tagesspiegel, entretanto, ele não estava trabalhando há semanas.
Informações do Der Spiegel sugerem que o suposto autor do ataque, visto em vários vídeos que circulam nos meios de comunicação, é chamado de "Taleb A." - outros meios de comunicação dizem que é Taleb al Abdulmohsen - que em 2016 foi reconhecido como refugiado, depois de alegar que havia sido ameaçado de morte por renunciar ao Islã.
Mais tarde, em 2019, a BBC informou que al Abdulmohsen estava ajudando "ex-muçulmanos a fugir da região do Golfo" e disse que na Arábia Saudita ele não poderia "viver seu ateísmo com segurança".
Amor por Israel
A conta do suposto agressor no X é notável pelas críticas ao Islã, pelo amor a Israel e pelas afirmações de que a Alemanha busca "islamizar a Europa". Ele acusa Berlim de perseguir os sauditas que buscam asilo "para destruir suas vidas".
Embora seja um aparente defensor das políticas do Estado judeu, suas publicações on-line são confusas. No final de outubro deste ano, ele escreveu: "A verdadeira resistência contra Israel é a solução de um único estado. Convocamos os árabes a organizarem manifestações para exigir que Israel anexe a Cisjordânia e a Faixa de Gaza e, se quiserem, anexem também o Líbano".
Críticas ao governo alemão
Em junho, ele postou um tweet, em alemão, acusando a polícia do país de "destruir nosso ativismo anti-islâmico". "A esquerda está louca. Precisamos que a AfD [a Alternativa para a Alemanha, de extrema direita] proteja a polícia de si mesma", escreveu na ocasião.
Em agosto, postou em árabe: "Se a Alemanha quiser guerra, nós a teremos. Se a Alemanha quiser nos matar, nós os mataremos, morreremos ou iremos para a prisão com orgulho. Como já esgotamos todos os meios pacíficos, só encontramos mais crimes por parte da polícia, da segurança do Estado, do Ministério Público, do Judiciário e do Ministério do Interior. A paz não tem utilidade para eles", disse ele, segundo o Die Welt.
Em dezembro, ele escreveu que a ex-chanceler alemã Angela Merkel deveria passar "o resto de sua vida na prisão como punição por seu projeto criminoso secreto de islamizar a Europa". Mas, se a pena de morte for reeditada, ela merece ser morta".
