
Agência Reuters deveria retratar-se após notícia sobre suposta queda do avião de Assad, diz Moscou

A Reuters deveria se retratar por ter publicado uma matéria afirmando que era "altamente provável" que Bashar al Assad tivesse morrido em um acidente de avião ao deixar a Síria, sugeriu Maria Zakharova em seu canal no Telegram.
Assad deixou a Síria nas primeiras horas da manhã de domingo, quando os jihadistas do Hayat Tahrir-al-Sham (HTS) e os militantes do Exército Livre da Síria (FSA), armados pelos EUA, invadiram Damasco.
O site de rastreamento de voos Flightradar24 mostrou um avião que se acreditava estar transportando Assad saindo da capital síria e indo em direção ao Mar Mediterrâneo, antes de dar meia-volta e desaparecer do mapa.

Pouco tempo depois, a Reuters informou que ''havia uma probabilidade muito alta de que Assad tivesse morrido em um acidente de avião, já que era um mistério o motivo pelo qual o avião deu uma volta inesperada e desapareceu'', citando duas ''fontes sírias'' anônimas.
Depois de a agência de notícias russa RIA Novosti ter confirmado que Assad havia aterrissado em Moscou e recebido asilo, Zakharova foi ao Telegram para criticar a Reuters por divulgar notícias ''falsas'':
''Será que a Reuters, que noticiou a morte 'altamente provável' de Assad, vai se desmentir?'', questionou, acusando a agência de divulgar o tipo de ''falsificações que o Ocidente está combatendo com tanto zelo''.
Apesar de não ter abordado os comentários de Zakharova, a agência reescreveu a história na noite de domingo, removendo o parágrafo sobre o suposto acidente de avião.
O que está acontecendo na Síria?
As forças do HTS lançaram uma ofensiva surpresa contra o Exército sírio nas províncias de Idlib e Aleppo, no norte do país, no final do mês passado, e rapidamente tomaram várias cidades importantes.
Nas primeiras horas de domingo, os insurgentes declararam, através das redes sociais, que tomaram Damasco e assumiram o poder no país.
Em uma declaração no domingo, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia explicou que Assad havia decidido renunciar ao poder pacificamente após diálogos com vários grupos de oposição. ''A Rússia não participou dessas negociações'', observou o ministério.
Moscou ''mantém contato com todos os grupos de oposição sírios'', acrescentou a chancelaria, conclamando esses grupos a respeitarem a Resolução 2254 do Conselho de Segurança da ONU, que pede a todas as partes que resolvam suas diferenças diplomaticamente. A resolução excluiu o Jabhat al-Nusra, como o HTS era conhecido até 2017.