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Orbán: "A posição dominante do Ocidente acabou"

O primeiro-ministro húngaro também declarou que a Europa não é "forte o suficiente para ser levada a sério pelos russos".
Orbán: "A posição dominante do Ocidente acabou"Gettyimages.ru / Marcos Brindicci

O mundo está passando por uma "mudança histórica na economia global", na qual "a posição dominante do Ocidente acabou", afirmou o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, ao jornal austríaco Die Presse, no sábado.

"Aceitamos o fato de que, no sistema de comércio global, há países maiores do que nós. Anteriormente, eles não eram participantes ativos no sistema de comércio mundial moderno. Agora, porém, eles são concorrentes sérios. O centro de gravidade da economia mundial, o centro do dinheiro e do lucro, está se deslocando do Ocidente para a Ásia. O coração da economia mundial não está mais na região transatlântica, mas na região transpacífica", enfatizou Orbán em uma conversa com o ex-chanceler austríaco Wolfgang Schüssel.

Os dois também discutiram a crise ucraniana. De acordo com o líder húngaro, o Ocidente deveria ter negociado o status da Ucrânia já em 2008, mas ainda há espaço para a diplomacia.

Embora a Europa não seja "forte o suficiente para ser levada a sério pelos russos", "temos que mostrar força e comunicar claramente aos russos: nós temos interesses, e vocês têm interesses, e podemos fazer acordos com base nisso", disse ele.

Em resposta, Schüssel fez objeções a Orbán, dizendo que o acordo de cessar-fogo significaria "uma derrota de fato para a Ucrânia", ao que o político húngaro reagiu dizendo que, se o conflito se espalhar, a Ucrânia poderá perder mais território. Ele também enfatizou que o apoio financeiro ao regime de Kiev é um problema para a Europa.

"As pessoas na Europa estão insatisfeitas com o fato de seus governos estarem dando cada vez mais apoio financeiro à Ucrânia. Não podemos nos dar ao luxo de fornecer à Ucrânia os recursos financeiros que possibilitariam uma vitória militar", disse Orbán.

Na terça-feira, Balazs Orbán, conselheiro do líder húngaro, declarou que "a Europa está praticamente de joelhos por causa da abordagem dos EUA à guerra entre a Rússia e a Ucrânia".