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Jogos de azar são grave ameaça à saúde pública em todo o mundo, alerta novo estudo

Relatório aponta que o crescimento das apostas online prejudica a saúde pública e expõe adolescentes e crianças a riscos, enquanto o Brasil intensifica medidas contra sites de apostas ilegais.
Jogos de azar são grave ameaça à saúde pública em todo o mundo, alerta novo estudoGettyimages.ru / B2M Productions

O setor de jogos de azar e apostas online está se configurando como uma preocupação crescente para a saúde pública mundial, de acordo com um relatório da The Lancet Public Health divulgado na última quinta-feira. O documento revela que a rápida expansão desse mercado afeta um número muito maior de pessoas do que se imaginava anteriormente.

Segundo a análise realizada por uma comissão de saúde pública sobre jogos de azar, os efeitos das apostas vão além da saúde e do bem-estar dos jogadores, impactando também seus relacionamentos e situação financeira, além de aumentar os riscos de suicídio e violência doméstica.

Cerca de 46,2% dos adultos e 17,9% dos adolescentes participaram de jogos de azar no último ano em todo o mundo, conforme os dados coletados pela comissão.

Os especialistas estimam que cerca de 450 milhões de adultos enfrentam riscos relacionados ao jogo, sendo que aproximadamente 80 milhões sofrem de distúrbios do jogo ou vícios patológicos em apostas ou jogos eletrônicos.

Eles advertem ainda que o setor de jogos de azar, impulsionado por estratégias de marketing mais agressivas e pela facilidade de acesso à internet, está alcançando um público mais amplo do que nunca, incluindo adolescentes e crianças, que são expostos à publicidade de produtos de apostas de formas inéditas na era digital.

Medidas contra apostas ilegais

Em uma entrevista ao jornal CBN no dia 30 de setembro, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou uma série de iniciativas para combater as apostas ilegais no Brasil. Na ocasião, declarou que "entre 500 e 600 sites de apostas" seriam bloqueados.

Haddad aconselhou os cidadãos a buscarem a restituição de seus depósitos em sites de apostas, enfatizando que têm o direito de recuperar seus valores. Ele destacou que o governo está tomando medidas para proteger a população de operadores não regulamentados, que tiveram liberdade para atuar durante a gestão anterior.

O ministro atribuiu a falta de regulamentação à inação do governo de Jair Bolsonaro, o que favoreceu a proliferação de sites de apostas e jogos eletrônicos sem a devida supervisão. Ele ressaltou que esses operadores não eram submetidos a impostos e não foram responsabilizados por garantir a proteção dos consumidores.

Segundo Haddad, o governo iniciará a suspensão das atividades de empresas de apostas que não tenham a autorização necessária e traçou quatro principais ações para lidar com a situação: bloquear sites de apostas não regulamentados, proibir certos métodos de pagamento, como cartão de crédito e cartão do Bolsa Família, monitorar as atividades de apostas por meio do CPF e implementar uma regulamentação publicitária mais rigorosa.