A cúpula do BRICS, realizada esta semana na cidade russa de Kazan, deverá atrair mais países para se unirem ao grupo, em expansão, enquanto o Ocidente tem feito com que diversas nações se afastem de seu sistema, afirmou o ex-analista do Pentágono Michael Maloof ao ex-deputado britânico George Galloway, no domingo.
Ao comentar suas expectativas para a cúpula, Maloof declarou que ela será uma "onda de popularidade" e elogiou o presidente russo, Vladimir Putin, por reconhecer a necessidade de um sistema econômico mundial mais inclusivo, um desejo compartilhado por vários Estados.
O ex-funcionário do Departamento de Defesa dos EUA também destacou que o BRICS não foi criado para desafiar o Ocidente, mas sim para fomentar a união, cooperação e coordenação entre países que, segundo ele, "querem se libertar das sanções opressivas do Ocidente e de seu sistema financeiro", que é considerado por ele "um fardo".
Maloof afirmou que o mundo está saturado da ordem imposta pelos EUA, que, segundo ele, "não apenas estabelecem as regras, mas as quebram quando convém". "E o mundo está dizendo 'já tivemos o suficiente dessa palhaçada'", acrescentou durante a entrevista.
O ex-analista do Pentágono também abordou os futuros desafios à hegemonia do dólar, mencionando os mecanismos que serão apresentados durante a cúpula em Kazan.
Potencial econômico e financeiro
Em setembro, o presidente russo, Vladimir Putin, destacou que a contribuição econômica do BRICS já superou a do G7, com a participação do grupo no PIB global alcançando 31,4% em 2022.
Durante o Fórum Econômico Oriental, Putin observou que "as prioridades no uso de certas moedas estão mudando" e atribuiu aos países ocidentais parte dessa transformação.
Em 26 de setembro, a Rússia anunciou que está desenvolvendo um sistema de pagamento e liquidação para o BRICS, com o objetivo de facilitar o comércio exterior entre os países do grupo.