O Departamento de Defesa dos Estados Unidos encomendou na terça-feira (27) um estudo para prever o impacto de um possível conflito nuclear no meio ambiente e na agricultura global, com foco em regiões "além da Europa Oriental e da Rússia Ocidental", consideradas o epicentro hipotético de um ataque nuclear.
De acordo com o aviso de licitação publicado na plataforma governamental Sistema de Gestão de Aquisições (ou SAM, na sigla em inglês), o projeto será liderado pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Engenheiros, do Corpo de Engenheiros do Exército norte-americano.
Embora a Terra Analytics, empresa especializada em análise avançada de dados, já tenha sido contratada na quinta-feira (22), a licitação permanece aberta.
A empresa contratada deverá, entre outras tarefas, incorporar mapeamento aéreo à simulação e modelar tanto um cenário de guerra nuclear global quanto um evento nuclear não destrutivo, abrangendo a geografia dos antigos países do Bloco Oriental para "apoiar os objetivos de redução de ameaças e defesa" da agência. O valor do contrato foi estipulado em 34 milhões de dólares (R$ 117 milhões).
O pedido surge em meio ao aumento dos debates sobre uma possível guerra nuclear, devido ao conflito na Ucrânia e às crescentes tensões entre a OTAN e a Rússia.
Em dezembro de 2025, o New York Times informou que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, autorizou um plano nuclear estratégico secreto, com o objetivo de preparar Washington para possíveis "desafios nucleares coordenados" vindos da China, Rússia e Coreia do Norte.
Desde junho, o governo norte-americano também anunciou sua intenção de adotar uma estratégia nuclear mais assertiva e competitiva.
Por outro lado, Moscou reiterou diversas vezes sua disposição para negociações com os EUA sobre controle de armas e não proliferação nuclear.
Em junho, o presidente russo, Vladimir Putin, declarou em uma coletiva de imprensa que a Rússia "não ostenta seu arsenal nuclear" e lembrou que os EUA são o único país a ter utilizado armas nucleares em guerra.