O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, defendeu uma política externa afastada de critérios ideológicos, baseada nos interesses de cada país. Em entrevista à agência EFE ele afirmou estar disposto a dialogar tanto com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, quanto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
"A ideologia não dá de comer", declarou Paz. "Eu me sento com Trump e amanhã me sento com um grande amigo como Lula", acrescentou. O presidente boliviano já manteve contato direto com Lula, que anunciou o envio de ajuda humanitária à Bolívia após uma conversa entre os dois em maio.
Paz afirmou que a política externa boliviana deve ser guiada pelo "bom senso", com foco na identificação de interesses compartilhados que permitam o crescimento e tragam benefícios mútuos aos países. A aproximação com Washington também é um tema de debate interno na Bolívia, onde movimentos camponeses criticaram as relações do governo com os Estados Unidos.
Apesar da abertura diplomática, o presidente estabeleceu uma condição para o relacionamento com outros governos: o respeito à democracia. "Com países não democráticos, nós não compartilhamos desse critério", declarou.
Filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora, Rodrigo Paz relacionou sua defesa da democracia aos exílios vividos por sua família durante a infância, em razão de perseguições políticas. Ele também mencionou experiências em países que enfrentaram golpes de Estado, como Chile, Argentina e Peru.