O Brasil encerrou, em apenas 19 dias, todos os embargos comerciais de abrangência nacional impostos às exportações de produtos avícolas após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em Santa Catarina. O resultado foi alcançado quando o Uruguai autorizou a retomada das importações provenientes dos demais estados brasileiros.
Com a decisão, nenhum parceiro comercial mantém restrições que atinjam todo o território brasileiro. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as medidas restantes correspondem a aproximadamente 15 mil toneladas mensais, equivalentes a 3% da média de 500 mil toneladas exportadas pelo país.
O fim dos embargos ocorre em um setor que movimenta bilhões de dólares. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações brasileiras de carne de frango somaram US$ 8,67 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, alta de 21% em relação ao mesmo período do ano anterior.
"Não estamos falando apenas de números, mas de confiança, de credibilidade e da capacidade do Brasil de demonstrar que uma ocorrência sanitária localizada não precisa comprometer o comércio de todo o país", afirmou o ministro da Agricultura, André de Paula.
Brasil reduz de 74 para 19 dias reversão dos embargos
O novo episódio começou em outubro, com a confirmação da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, Santa Catarina. A enfermidade viral contagiosa afeta aves e levou parceiros comerciais a restringirem a importação de produtos avícolas brasileiros.
Em julho de 2024, um foco da mesma doença em uma granja comercial no Rio Grande do Sul também provocou embargos internacionais. Na ocasião, o Brasil levou 74 dias para eliminar todas as restrições de abrangência nacional, processo concluído em 30 de setembro daquele ano.
Desta vez, a China, um dos principais parceiros comerciais brasileiros, revisou sua decisão em menos de 24 horas, segundo o Mapa. O país asiático também vem ampliando o acesso de produtos brasileiros ao seu mercado, incluindo o setor de carnes.
A reversão dos embargos foi favorecida pelo reconhecimento da chamada regionalização sanitária, mecanismo que permite aos países importadores restringir produtos provenientes das áreas afetadas sem bloquear as exportações de todo o território nacional. Segundo o governo, o procedimento contribuiu para avaliações de risco mais rápidas e decisões proporcionais à situação sanitária.
Apesar do fim dos embargos nacionais, 11 países ainda mantêm restrições às importações de produtos avícolas de Santa Catarina. O Mapa não autoriza exportações da área de restrição, que abrange Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. O governo seguirá negociando a delimitação dos bloqueios à região afetada, enquanto reforça que os produtos submetidos à inspeção oficial permanecem seguros para consumo.