O movimento houthi do Iêmen estabeleceu seu controle sobre o tráfego marítimo no Mar Vermelho por meio de um sistema de solicitações e permissões para embarcações que buscam autorizações de trânsito, informa o The Wall Street Journal.
A entidade administrativa responsável, denominada Centro de Coordenação de Operações Humanitárias, foi criada em 2024 para processar solicitações de armadores e comunicar as sanções e restrições impostas pelo grupo.
Inicialmente, o grupo houthi, que se autodenomina Ansar Allah, anunciou um veto à navegação de qualquer embarcação a caminho de — ou proveniente de — portos israelenses em resposta aos bombardeios em Gaza; medida que, posteriormente, foi ampliada para proibir também a passagem, de modo geral, de navios dos Estados Unidos e do Reino Unido.
Embora embarcações não vinculadas a esses países pudessem transitar sem a obrigação de contatar previamente o Centro, alguns armadores começaram a buscar garantias de trânsito seguro desde que os houthis anunciaram um bloqueio marítimo à Arábia Saudita em julho passado — informa o veículo, citando empresas de navegação, analistas e e-mails referentes a esses contatos.
Em setembro passado, os houthis tiveram avanços territoriais significativos contra as forças governamentais iemenitas apoiadas por Riad e estabeleceram seu controle sobre a costa ocidental do país e o estreito de Bab el-Mandeb, que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Aden e ao Mar Arábico.
Essa importante rota para o comércio de combustíveis tornou-se ainda mais relevante nos últimos meses diante do fechamento do Estreito de Ormuz, bloqueado em razão da guerra dos Estados Unidos contra o Irã.
- A escalada das hostilidades começou em julho e pôs fim à frágil trégua entre a Arábia Saudita e os Houthis. Nas últimas semanas, o movimento intensificou os ataques contra alvos ligados a Riad, incluindo aeroportos.
- Em outubro, os houthis alertaram companhias aéreas, funcionários e passageiros para que evitassem viajar pelo Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, ou passar pelo local.
- O movimento afirmou que o aeroporto não era seguro por constituir um "alvo militar" de suas forças. A instalação também figurou entre os alvos mencionados em alertas anteriores dos Houthis.