Líder de seita que ordenou jejum até a morte é condenado a 200 anos por assassinato de 190 crianças

Paul Mackenzie ordenou que seguidores morressem de fome para encontrar Jesus. Crimes ocorreram no Quênia.

O pastor queniano Paul Mackenzie, líder de uma seita apocalíptica, foi condenado a 200 anos de prisão pelo assassinato de 190 crianças e um adulto. A sentença foi anunciada pelo Tribunal Superior de Mombaça, no Quênia, após a Justiça concluir que ele ordenou aos seguidores que morressem de fome para encontrar Jesus. A informação foi publicada pela Associated Press.

A juíza Diana Kavedza atribuiu a Mackenzie, líder da Igreja Internacional da Boa Nova, a principal responsabilidade criminal por transferir seus seguidores para uma região isolada e determinar que jejuassem até a morte. A magistrada classificou os assassinatos como "frios e calculados".

Segundo a decisão judicial, 183 das 191 vítimas morreram de inanição, enquanto outras oito foram assassinadas diretamente. A juíza também afirmou que os condenados não demonstraram arrependimento e chegaram a declarar que estavam dispostos a morrer de fome.

Em 2023, mais de 400 corpos foram encontrados em valas comuns na propriedade Chakama Ranch, no condado de Kilifi, onde os seguidores viviam isolados. Mais de 60 vítimas foram identificadas e sepultadas por familiares, enquanto muitas outras permanecem sem identificação.

Mackenzie foi acusado juntamente com 28 seguidores, incluindo guardas responsáveis por impor as ordens de jejum e coveiros que ajudaram a esconder os corpos. Todos foram considerados culpados. Apenas um dos acusados confessou os crimes e pediu clemência.

Outras condenações

O pastor auxiliar Smart Mwakalama foi condenado a 160 anos de prisão. Mackenzie também responde a outros processos por terrorismo e homicídio culposo relacionados a mais de 200 vítimas, além de acusações de abuso infantil e tortura em outros tribunais.

O Ministério Público havia solicitado pena de morte para Mackenzie e prisão perpétua para seus cúmplices. A defesa apresentou recurso contra a sentença, argumentando que penas de até 200 anos equivalem, na prática, à prisão perpétua. Os condenados receberam prazo de 14 dias para recorrer.

Entre os familiares das vítimas está Suleiman Ziro, que perdeu seis filhos e a esposa para a seita. Ele considerou a condenação insuficiente e defendeu a pena de morte para o líder religioso, afirmando que ainda não conseguiu recuperar os corpos de seus familiares.