Eleitores de Flávio querem 'virar a página' e rejeitam contestação de resultado eleitoral

Um levantamento mostrou que, mesmo entre os mais radicalizados apoiadores, há desejo de seguir em frente e críticas ao senador por receber salário sem exercer o mandato.

Pesquisas qualitativas realizadas com eleitores de Flávio Bolsonaro nos últimos dias, após a fuga dele para os Estados Unidos, revelam um desejo de "virar a página" sobre a eleição presidencial, informou a Folha de S. Paulo.

Os levantamentos foram conduzidos pela cientista política Esther Solano, que pesquisa o universo da direita, e incluíram eleitores menos e mais radicalizados do senador.

Segundo a pesquisa, a derrota provoca preocupação, mas não gera disposição para uma batalha jurídica sobre o resultado.

Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro mais moderados, prevaleceu a avaliação de que ele foi mal no último debate da TV Globo e conduziu pior o segundo turno. Já entre os mais radicalizados, persistem suspeitas de fraude, sobretudo sobre a ampliação do horário de votação, mas há convergência de que é preciso aceitar o resultado.

Muitos eleitores disseram desconhecer que o PL também pediu a prorrogação da votação e que o percentual de votos computados após o fechamento das urnas foi ínfimo. Ao receberem essas informações, alguns passaram a questionar a acusação de fraude. Já o fato de Flávio ter se autoproclamado presidente foi recebido como "ridículo".

Sobre a fuga, parte dos entrevistados vê a ordem de Alexandre de Moraes para entregar o passaporte como "perseguição judicial". Ao mesmo tempo, admitem que o senador pode ter responsabilidade em fatos sob investigação, o que ajudaria a explicar a fuga para os EUA. Também houve críticas ao fato de ele seguir recebendo dinheiro público como senador sem exercer o mandato.