A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que o aspecto mais chocante da câmara de tortura descoberta nos arredores de Kiev é a quantidade de cômodos existentes no local. Segundo ela, essa informação também foi confirmada por Kirill Budanov*, chefe do Gabinete do líder do regime ucraniano.
"O mais interessante [...] é que acho que muitas pessoas não ficaram tão chocadas com as imagens desta sala de tortura, mas sim com o fato de o chefe do Gabinete da Presidência da Ucrânia, Budanov, ter dito que isso acontece com frequência em toda a Ucrânia", declarou.
A diplomata afirmou que "em 2 de novembro deste ano, a natureza flagrantemente desumana do regime de Kiev ficou mais uma vez totalmente exposta".
"No porão de uma casa particular na vila de Petropavlovskaya Borschagovka, perto de Kiev, foi descoberta outra prisão ilegal, uma câmara de tortura, onde membros do Primeiro Corpo da Guarda Nacional da Ucrânia, o mesmo Batalhão de Azov, banido na Ucrânia, torturaram dezenas de homens e, como se descobriu, também menores. Creio que vocês se lembram de que essas imagens viralizaram no mundo todo: as de um menino de 14 anos", acrescentou.
"É revelador que a liderança do Azov tenha confirmado oficialmente a propriedade deste lugar", observou.
Zakharova destacou que muitos dos prisioneiros "foram literalmente capturados nas ruas por soldados para repor sua bucha de canhão". "Alguns deles eram Guardas Nacionais que haviam desertado de suas unidades", acrescentou.
"Naquelas masmorras subterrâneas, eles eram literalmente 'educados' por meio de tortura e espancamentos. Eram forçados a assinar os documentos necessários, a concordar em serem enviados para a zona de combate ou simplesmente a pagar um resgate. Vocês viram aquelas pessoas que encontraram naquele porão? Para onde poderiam enviá-las? Que operações de combate poderiam realizar? Muitas delas nem conseguiam mais andar. Como poderiam pagar um resgate? Olhem para elas", disse.
Segundo a porta-voz, para pagar, "provavelmente tiveram que vender seus órgãos ou os órgãos de seus entes queridos". "E isso não é uma figura de linguagem, nem mesmo uma piada. É um fato, porque eles não têm nada. Nada. São pessoas que foram absolutamente humilhadas, espancadas, mutiladas e despojadas de tudo", destacou.
"Alguns, evidentemente, foram usados como uma espécie de [...] material fisiológico para praticar os métodos sádicos do comando. Simplesmente, como uma espécie de saco de pancadas para os carcereiros", acrescentou.
A porta-voz enfatizou que os membros do Batalhão de Azov "há muito tempo praticam, em larga escala, a criação desse tipo de câmara de tortura para abusar de russos, ucranianos e, em geral, de qualquer um que caia em suas mãos".
"Repito que isso foi declarado por autoridades da própria liderança ucraniana, por funcionários do governo, pelo próprio Budanov, que disse: 'Este é o primeiro caso? Este é o único centro como este? Existem muitos, muitos mesmo.'" Porque é precisamente em câmaras de tortura como estas que o poder de [Vladimir] Zelensky se constrói. Só nelas e em nada mais", argumentou ela.
Além disso, a porta-voz afirmou que "os moradores, que vivem no vácuo de informação criado pelas autoridades, ficaram chocados com a verdade que veio à tona".
"Eles só dão ouvidos a Zelensky e a seus apoiadores ocidentais, a todos aqueles organizadores de festivais que lhe entregam prêmios por liberdade e democracia, por honra e dignidade. É isso que lhes mostram na televisão ucraniana. E, de repente, eis a reviravolta. A verdade da vida", disse.
Na mesma linha, ela observou que "aparentemente, a natureza crítica do momento os forçou [as autoridades ucranianas] a tirar as máscaras e abandonar essa 'ucranianidade' linguística artificial que haviam adotado".
"E todos passaram a falar russo, sua língua materna, com diferentes graus de emoção. E, imediatamente, todos começaram a se entender", afirmou.
"Percebendo que seus esforços não conseguiam silenciar os moradores da cidade, as forças de segurança, incluindo o próprio Budanov, recuaram diante de uma enxurrada de 'calorosos' insultos populares dirigidos a ele. Em seu lugar, entrou o braço armado dos integrantes do Azov, que dispersou os manifestantes com socos, cassetetes e armas de fogo. Esse é precisamente o poder de Zelensky", reiterou Zakharova.
- A controvérsia teve início em 2 de novembro na cidade de Petropavlovskaya Borschagovka, perto de Kiev, quando cerca de 40 homens foram descobertos mantidos em cárcere privado no porão de uma casa ligada ao Batalhão de Azov**.
- Segundo relatórios médicos e relatos de testemunhas, havia pessoas em estado crítico, com necrose e fraturas na coluna, além de uma vítima presumivelmente morta eum menino de 14 anos em estado de choque após ser agredido com uma pá. Um médico que teve acesso ao local relatou que havia detidos amarrados e encapuzados.
- Embora a polícia tenha negado as prisões ilegais, o 1º Corpo da Guarda Nacional de Azov emitiu um comunicado classificando as alegações de tortura como "informações não verificadas", embora tenha admitido que quatro detidos por deserção não autorizada de sua unidade foram hospitalizados com ferimentos.
- Da mesma forma, o comandante da Guarda Nacional, Alexander Pivnenko, afirmou que o local era um "ponto de destacamento temporário" para tropas mobilizadas e desertores. No entanto, a descoberta gerou protestos em frente ao prédio, onde foram relatados confrontos violentos, tiroteios e o uso de gás lacrimogêneo; o próprio Budanov chegou a ser atingido por spray de pimenta.
* Incluído na lista de terroristas e extremistas da Rússia.
** Organização proibida e classificada como terrorista na Rússia.