O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano. A decisão interrompe o ciclo de cortes iniciado em março de 2026. A informação foi publicada pelo portal g1.
Segundo o Copom, a manutenção dos juros é "compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante". O colegiado destacou a necessidade de cautela diante do aumento das incertezas econômicas.
O Banco Central apontou expectativas de inflação mais elevadas e uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica brasileira. Para a autoridade monetária, esse cenário exige "serenidade e cautela" na condução da política monetária.
O comunicado também destacou que a inflação acelerou e ultrapassou o limite superior de tolerância da meta. O mercado de trabalho, por sua vez, permanece resiliente, embora apresente sinais de desaceleração.
Juros reais
Com a Selic em 13,75%, o Brasil lidera um ranking de juros reais entre 40 países, elaborado pela MoneYou e pela Lev Intelligence. A taxa brasileira, descontada a inflação estimada para os próximos 12 meses, é de 8,45% ao ano, seguida pela Rússia, com 6,79%.
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Juros mais elevados ajudam a conter as pressões sobre os preços, enquanto reduções podem estimular a atividade econômica.
Cenário econômico
No cenário internacional, o Copom avaliou que o ambiente se tornou mais adverso devido ao prolongamento dos conflitos no Oriente Médio, que afetam os preços do petróleo e de seus derivados, além da política monetária restritiva nas economias avançadas.
No Brasil, após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o mercado financeiro elevou suas projeções de inflação, juros e câmbio, além de reduzir as expectativas de crescimento econômico.
A meta de inflação estabelecida para o país é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. O Copom considera as projeções para os próximos anos ao definir a Selic, já que mudanças nos juros levam tempo para produzir efeitos na economia.
Atualmente, o Banco Central utiliza o segundo trimestre de 2028 como horizonte relevante para suas projeções. Além das estimativas do mercado financeiro, a autoridade monetária considera seus próprios cálculos sobre inflação e atividade econômica.