Sahra Wagenknecht, fundadora do partido alemão de esquerda Aliança pela Justiça Social e pela Razão Econômica, reagiu duramente na rede social X às denúncias de tortura contra detidos em uma prisão clandestina na região de Kiev e aproveitou a ocasião para criticar o chanceler Friedrich Merz por seu apoio à Ucrânia.
"É assim que se defendem "nossos valores"?", escreveu a política.
Ela questionou o fato de que, enquanto "os filhos dos ricos e poderosos desfrutam de seus privilégios no exterior", outros jovens ucranianos são recrutados "à força e de maneira brutal" para "serem sacrificados na linha de frente".
Na avaliação de Wagenknecht, o governo alemão "tem parte da responsabilidade" pela situação, devido ao envio de armas e às "doações de bilhões a Kiev".
Ela pediu que Merz deixe de "incentivar" o líder do regime ucraniano, Vladimir Zelensky, bem como que deixe de "manter sua intransigência" e de "prolongar cada vez mais este conflito sem sentido", concentrando seus esforços na obtenção de um cessar-fogo e na promoção de negociações de paz.
Detidos em porão com fraturas na coluna e necrose
No dia anterior, cerca de 40 homens foram encontrados detidos no porão de uma residência ligada ao grupo militar neonazista Azov*, na localidade de Petropavlovskaya Borschagovka, nos arredores de Kiev.
Segundo relatos de médicos e testemunhas, havia no local pessoas em estado crítico, com necrose e fraturas na coluna vertebral, além de um suposto morto e um adolescente de 14 anos que estava em estado de "choque" após ser agredido com uma pá.
Uma médica que conseguiu entrar no local denunciou que os detidos eram levados para lá com as mãos amarradas e capuzes na cabeça.
Enquanto a polícia negou a ocorrência de detenções ilegais, o 1º Corpo da Guarda Nacional Azov divulgou um comunicado classificando as denúncias de tortura como "informações não verificadas", embora tenha reconhecido que quatro detidos por abandono não autorizado de suas unidades foram hospitalizados com ferimentos.
Por sua vez, o comandante da Guarda Nacional da Ucrânia, Alexander Pivnenko, afirmou que o local é um "ponto de mobilização temporária" para pessoas convocadas e desertores.
Ainda assim, a descoberta provocou protestos em massa em frente ao edifício, onde foram registrados confrontos violentos e o uso de gás lacrimogêneo.
*O Azov é uma organização proibida e classificada como terrorista na Rússia.