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Cinco mistérios não resolvidos do Egito Antigo

Entre as perguntas que permanecem sem resposta estão: como e por que um dos mais famosos faraós do Egito Antigo morreu e o que aconteceu com uma das mulheres mais poderosas da história egípcia?
Cinco mistérios não resolvidos do Egito AntigoGettyimages.ru / Jake Warga

A civilização do Egito Antigo é uma das mais celebradas e amadas pelos interessados por história antiga. Embora muitos de seus mistérios tenham sido resolvidos por egiptólogos e arqueólogos, inclusive a questão da construção das pirâmides, ainda há enigmas sem resposta.

A morte de Tutankhamon

Ainda não se sabe ao certo como foram os últimos dias de um dos faraós mais célebres do Egito. A morte de Tutancâmon, cujo nome pode ser traduzido como "a imagem viva de Amon" (um dos deuses fundamentais do panteão egípcio), erroneamente considerado filho de Akhenaton, não foi resolvida pelos pesquisadores, que continuam a supor várias interpretações.

Entre as versões que circulam estão a de que ele foi morto na luta pelo trono; que morreu de uma doença; e até mesmo que foi engolido por um hipopótamo. Essa última é uma lenda: se alguém fosse engolido por um hipopótamo, uma boa vida o aguardaria no além. 

Em 2016, uma análise da múmia do falecido faraó foi feita e chegou-se a conclusão de que a causa mais provável da morte foi uma combinação de osteonecrose e malária, agravada por outras doenças.

De fato, os membros da múmia estavam deformados, o pé direito sofria de hipofalangismo, a mandíbula superior se projetava e possivelmente sofria de osteonecrose. Consequentemente, os cientistas sugerem que o faraó morreu aos 18 anos de idade devido a uma mistura de várias doenças hereditárias. A esse respeito, lembram que os faraós se casavam com suas irmãs para não "contaminar" o sangue real.

Por que Nefertiti desapareceu?

Nefertiti, esposa de Akhenaton, é uma das figuras mais enigmáticas da história do Egito Antigo, e alguns egiptólogos acreditam que ela pode até ter governado o país com seu marido ou herdado a coroa após a morte dele, mudando seu nome para Neferneferuaton.

No entanto, não se sabe por que a rainha-faraó, cuja origem também não é clara, desapareceu repentinamente de todos os registros reais. Seu nome é traduzido como "a mais bela chegou", mas não está claro de onde veio uma das mulheres mais poderosas do Egito Antigo, embora alguns pesquisadores acreditem que possa ter vindo da Mesopotâmia. Além disso, não se sabe por que desapareceu do cenário político após 16 anos de reinado de Akhenaton, um ano antes de sua morte.

Ainda não há teorias ou versões plausíveis que possam ser apoiadas pela maioria dos estudiosos.

Quem é o primeiro rei do Egito?

O nome Menes (Meni em egípcio antigo) é mencionado várias vezes em diferentes fontes, mas os historiadores não conseguem responder a uma pergunta muito simples: quem foi ele?

De acordo com a lista real de Abydos, um baixo-relevo com os 76 nomes dos reis mais importantes que precederam Seti I (século 13 a.C.), e o Cânone real de Turim, um papiro da época de Ramsés II, entre os reis da primeira dinastia real está o faraó do Alto e Baixo Egito, Menes, mas em ambas as listas o local onde sua atividade política é descrita está danificado e não é possível restaurá-lo.

A maioria dos egiptólogos acredita que Menes é Narmer, um personagem famoso que aparece em uma paleta cerimonial famosa, matando seus rivais e conquistando o Baixo Egito. Entretanto, para alguns cientistas, Nârmer é o pai de Menes, enquanto outros afirmam que Menes é Hórus Aha, um dos reis mais poderosos da primeira dinastia real.

Hoje, entre os especialistas em Egito da nova geração, está ganhando popularidade a versão de que o verdadeiro fundador do Estado unido é Hórus Escorpião II, representado com uma enxada em uma das mãos e uma coroa branca do Baixo Egito, cuja tumba pode estar localizada na necrópole de Umm el Qaab, no sul do país.

Havia uma rainha guerreira?

Durante o período dos grandes distúrbios após a chegada dos hicsos, um grupo de povos ao qual está ligada a queda do Reino Médio em meados do século XVII a.C., a rainha Ahhotep, após a morte em batalha de seu marido, o rei Seqenenra, liderou o cerco a Avaris, o centro dos hicsos no norte do Egito, a partir de Tebas, a capital do sul do país.

Os egiptólogos sugerem que, por suas incansáveis tentativas de expulsar os invasores do país e restaurar a integridade do Estado, seu filho, o novo rei, em um gesto de gratidão, concedeu à sua mãe três grandes moscas de ouro, o maior prêmio militar possível. Seria a maneira de reconhecer os grandes esforços e sacrifícios a que a valente rainha se submeteu.

Os etruscos no Egito?

Um croata comprou um sarcófago contendo a múmia de uma mulher desconhecida em Alexandria, no Egito, em 1848. Após a morte dele, o irmão doou a múmia para o Instituto Estatal Croata, onde atraiu muita atenção devido às inscrições encontradas em suas bandagens. Descobriu-se que o corpo da mulher estava envolto em pedaços do texto preservado mais longo conhecido no idioma etrusco, datado de 250 a.C.

Embora a língua etrusca permaneça em grande parte indecifrada, depois que algumas frases e palavras foram identificadas, os cientistas concluíram que o texto é uma espécie de calendário litúrgico, com datas e preceitos religiosos ligados a sacrifícios oferecidos a várias divindades etruscas.

Ainda não se sabe como o texto pode ter chegado ao Egito e por que a múmia foi embrulhada nele. Entretanto, pode-se sugerir que o texto seria da época da dominação romana do Egito, onde, não cumprindo seu propósito litúrgico, foi cortado em tiras e usado por embalsamadores.

Alina Sushkova