Uma equipe de pesquisadores especializados em neurofenomenologia e percepção visual analisou experiências de quase morte relatadas por 50 pessoas que estiveram em risco de vida e pediu que elas reconstruíssem, por meio de desenhos geométricos, os ambientes que haviam percebido.
Os cientistas identificaram a repetição de alguns padrões visuais: espaços semelhantes a túneis ou cones, arcos alongados e formas ovais ou esféricas ao redor da pessoa.
Das 112 representações examinadas, 108 correspondiam a pelo menos um desses formatos, indicando que muitos participantes descreveram ambientes semelhantes.
Formas e cores
A descoberta mais evidente foi a associação entre o formato dos espaços e as cores percebidas: enquanto os espaços em forma de túnel eram quase sempre lembrados sem cores, os de arco amplo quase sempre eram associados a cores. Nas demais categorias, os resultados foram mais variados.
Além disso, 76% dos participantes relataram a sensação de sair do próprio corpo seja antes ou depois da parte principal da experiência. Os pesquisadores organizaram em sequência as etapas de cada relato para facilitar a comparação deste detalhe específico da experiência entre os participantes.
Embora o estudo se baseie em lembranças dos participantes, o uso de desenhos permitiu identificar características difíceis de descrever apenas com palavras.
Os resultados sugerem que as experiências de quase morte podem envolver uma mudança na percepção visual, passando de ambientes mais estreitos e sem cores para espaços mais amplos e coloridos.