
EUA e Irã avançam nas negociações por acordo, mas Vance não descarta novos bombardeios

O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, afirmou que as negociações entre Washington e Teerã para encerrar o conflito registraram "alguns avanços". Ele também disse que tanto ele quanto o presidente Donald Trump estão otimistas e acreditam que ainda podem "conseguir mais" condições favoráveis aos EUA.
"Realizamos várias conversas positivas com os iranianos. [...]. Tanto o presidente [Donald Trump] quanto eu estamos bastante otimistas quanto às possibilidades de alcançar um acordo negociado", declarou Vance à imprensa, ao ser questionado sobre o assunto.

Após assegurar que a Casa Branca continuará "trabalhando nisso", o vice-presidente ressaltou que "nunca se sabe", porque, em suas palavras, "os iranianos são sempre um tanto imprevisíveis". Diante disso, não descartou a possibilidade de novos bombardeios.
"Como o presidente sempre diz, ele mantém sobre a mesa tanto opções militares quanto não militares. Mas, sem dúvida, conseguimos alguns avanços. Veremos se podemos conseguir mais", concluiu.
Trump afirmou que o Irã deseja chegar a "um acordo" e que "isso pode acontecer", uma vez que, segundo ele, os Estados Unidos prevaleceram no campo de batalha. Para sustentar a afirmação, o presidente retomou alegações já apresentadas em outras declarações à imprensa, como a de que as tropas norte-americanas controlam o Estreito de Ormuz.
"Plano expresso"
O Irã apresentou aos Estados Unidos um "plano expresso" de 48 horas, exigindo concessões para reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar a crise. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou em entrevista à Al Jazeera que a proposta é, essencialmente, o mesmo plano de sete dias que o Irã já havia apresentado durante a Assembleia Geral da ONU.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que Teerã tentará "resolver o problema por meio do diálogo". No entanto, segundo a assessoria de imprensa da Presidência, durante uma reunião com governadores e prefeitos das principais cidades, Pezeshkian declarou que o Irã não cederá às ameaças de guerra dos EUA e pediu o fortalecimento da resistência da população.
A Axios informou que os esforços dos mediadores do Catar para alcançar um avanço diplomático entre os EUA e o Irã tiveram pouco sucesso, já que nenhuma das partes estava disposta a ceder.
Enquanto isso, veículos de imprensa têm noticiado com frequência crescente que os Estados Unidos estariam se preparando para retomar operações militares em larga escala contra o Irã após as eleições de meio de mandato. Nesse contexto Trump afirmou que "tudo é possível" ao ser questionado sobre a possibilidade de Washington realizar novos ataques contra a República Islâmica depois das eleições.

