Europa compra diesel russo apesar das próprias restrções

Segundo o secretário do Tesouro dos EUA, os europeus deram mais dinheiro aos russos do que aos ucranianos, porque não conseguem deixar de depender da energia russa.

A Europa continua comprando diesel russo, apesar da proibição em vigor há vários anos,afirmou o vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, em uma entrevista ao jornalista Pavel Zarubin. 

Questionado sobre a possibilidade de os europeus comprarem gás russo ou outros produtos energéticos via um terceiro país, Novak respondeu: "Esses casos são possíveis. Ainda que a Europa tenha proibido a compra de petróleo e derivados da Rússia, vemos que o diesel russo às vezes aparece na Europa com outros rótulos".

Histeria europeia

O recente acordo energético entre Washington e Moscou para o fornecimento de diesel russo aos Estados Unidos provocou uma onda de críticas por parte de líderes europeus. 

Em resposta às críticas europeias, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, acusou no domingo (11) a Europa de hipocrisia. Ele criticou o bloco por repreender Washington por fechar acordos comerciais com Moscou em meio ao conflito ucraniano, enquanto seus próprios membros continuam comprando energia russa por dependência.

"Desde o início desta guerra, os europeus deram mais dinheiro aos russos do que aos ucranianos, porque não conseguem deixar de depender da energia russa. Sua política energética fracassou, e eles continuam financiando Vladimir Putin. Portanto, dizer que não podemos ter um alívio nos preços do diesel é uma hipocrisia completa", declarou. 

Novak informou em outubro que a Rússia forneceu à Europa recursos energéticos no valor de US$ 21,3 bilhões nos primeiros nove meses de 2026. Ele detalhou que, desde 2022, o bloco europeu adquiriu da Rússia recursos energéticos no valor de US$ 320 bilhões.

"Ou seja, apesar das restrições impostas pelas sanções, continuamos fornecendo recursos energéticos em determinados setores para os quais foram estabelecidas exceções", afirmou.