
Cápsula do tempo? Cometa 3I/ATLAS revela segredos do nascimento da nossa galáxia

Um estudo recente revelou que o objeto interestelar 3I/ATLAS pode conter materiais formados há cerca de 10 bilhões de anos, o que o transformaria em uma cápsula do tempo de uma fase inicial da Via Láctea. A pesquisa identificou características químicas incomuns no cometa, que sugerem uma origem em um ambiente muito mais antigo do que aquele que deu origem ao Sistema Solar.
Objetos interestelares, como o 3I/ATLAS, são ejetados de seus sistemas de origem e podem viajar pelo espaço durante bilhões de anos. Ao se aproximarem de uma estrela, a radiação aquece e derrete seus gelos, liberando gases que permitem analisar sua composição. Os autores do estudo calculam que o sistema de origem do 3I/ATLAS pode ser mais de 7 bilhões de anos mais antigo que o nosso.

A proximidade do cometa com o Sol permitiu aos astrônomos estudar material originário de outro sistema planetário. Uma equipe da Divisão de Exploração do Sistema Solar da NASA analisou o objeto com o telescópio espacial James Webb.
As observações foram feitas no fim de dezembro de 2025, quando o 3I/ATLAS estava a aproximadamente 2,5 vezes a distância Terra-Sol, na região do cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter.

O estudo se concentrou na proporção entre deutério e hidrogênio no metano do cometa. Como o deutério é uma forma mais pesada do hidrogênio, sua abundância relativa ajuda a revelar as condições em que os gelos se formaram. Os resultados indicaram uma proporção desse isótopo 13 vezes maior do que a detectada no 67P/Churyumov-Gerasimenko, o único outro cometa do Sistema Solar com uma assinatura isotópica considerada confiável, estudado "in situ" pela missão Rosetta.
A possível origem
Os autores sugerem que o 3I/ATLAS pode ter se formado em um núcleo pré-estelar — uma região densa e extremamente fria de gás e poeira que existe antes do nascimento de uma estrela. Com temperaturas próximas de -263 graus Celsius, os gases se congelam sobre as partículas de poeira, dando origem a assinaturas isotópicas únicas.
Além disso, a baixa concentração de carbono-13 encontrada no objeto sugere a presença de material pouco processado por estrelas antigas, responsáveis pela produção e dispersão de elementos mais pesados pelo espaço.
Essas características reforçam a hipótese de que o 3I/ATLAS tenha se originado em uma região muito antiga da galáxia, possivelmente nas proximidades de uma das estrelas mais antigas da Via Láctea, e viajado por bilhões de anos até chegar ao Sistema Solar.
Embora sua idade exata e seu local de origem ainda sejam desconhecidos, sua composição representa uma oportunidade única para estudar condições químicas raras nos discos de gás e poeira que circundam estrelas jovens.

