Golpe baixo? Israel pode repaginar tática controversa do 'pager explosivo' numa guerra contra o Irã

Sob a ameaça de um ataque surpresa contra o Irã, aumenta a tensão diante de uma possível escalada da guerra com a escalada das hostilidades.

A possibilidade de que o conflito com o Irã entre em uma fase de escalada após as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos ganha força em meio a movimentos militares e mensagens políticas em Washington.

O destaque é a mobilização naval americana: o porta-aviões USS Theodore Roosevelt, da classe Nimitz, ruma ao Oriente Médio para se juntar a outros dois grupos de combate na região, o USS George Washington e o USS George W. Bush. 

Nesse cenário, ganhou força a hipótese de que, caso a guerra em larga escala comece após as eleições nos EUA, Israel poderia replicar o modelo de sua operação com pagers contra o Hezbollah, no Líbano (2024), em um ataque surpresa destinado a decapitar a liderança iraniana.

Oded Ailam, ex-subdiretor de operações globais do Mossad, comentou ao New York Post que uma operação desse tipo continua plenamente sobre a mesa e que a estratégia israelense se baseia em reviravoltas inesperadas e em "cartas na manga".

De acordo com Ailam, alguns líderes já estariam adotando precauções extremas por temerem ser alvos de possíveis ataques. Entre eles estão Ahmad Vahidi, comandante-em-chefe da Guarda Revolucionária; Hossein Taeb, comandante das forças Basij; Ali Abdollahi, chefe do Estado-Maior do Exército iraniano; e Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional.

Operação "Grim Beeper"

A operação israelense de setembro de 2024, elaborada oficialmente contra o grupo libanês Hezbollah, envolveu a criação de uma empresa de fachada na Hungria que fabricou pagers — utilizados em comunicações internas que exigem confidencialidade, evitando canais abertos — com pequenas quantidades do explosivo PETN escondidas nas baterias, detonados remotamente.

Como consequência, a ação matou 37 pessoas e feriu cerca de 3 mil, incluindo civis e crianças, segundo levantamento citado pelo jornal Financial Times. Os dispositivos, ademais, também são utilizados por profissionais da saúde que utilizam comunicações de emergência, além de outras categorias profissionais que não podem depender da estabilidade de redes banda larga.

O ataque provocou intenso debate entre chefes de inteligência ocidentais sobre sua legalidade. Enquanto alguns o classificaram como "a operação antiterrorista mais precisa já realizada", Leon Panetta, ex-diretor da CIA, descreveu-a como "uma forma de terrorismo".

Autoridades europeias, à época, manifestaram preocupação com o precedente estabelecido e com a vulnerabilidade das cadeias de suprimentos globais, então manipuladas a serviço da agenda militar israelense.