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Ex-chanceler austríaca prevê recuo da Polônia no apoio a Kiev em meio a crise interna

Karin Kneissl afirmou à RT que Varsóvia pode priorizar "seus próprios assuntos internos" e entrar em um "momento de silêncio" na política externa, em meio à crise institucional no Tribunal Constitucional polonês.
Ex-chanceler austríaca prevê recuo da Polônia no apoio a Kiev em meio a crise internaGettyimages.ru / Piotr Lapinski/NurPhoto

A Polônia é uma das principais apoiadoras do regime de Kiev, mas agora provavelmente "estará focada em seus próprios assuntos internos", afirmou Karin Kneissl, ex-ministra das Relações Exteriores da Áustria, à RT.

"Sabemos que a Polônia é uma importante fornecedora de equipamentos militares para a Ucrânia. O país aspira a se tornar o segundo maior membro da OTAN, ultrapassando a Turquia", disse ela, acrescentando que Varsóvia também "nutre grandes ambições em relação ao seu papel como parceira transatlântica".

Segundo a ex-ministra, é muito provável que o mundo testemunhe "uma espécie de momento de silêncio na política externa, seja em relação à assistência à Ucrânia ou em outras áreas".

Quanto à política interna de Varsóvia, Kneissl observou que a medida mais sensata neste momento seria "convocar eleições legislativas", embora não acredite que o governo do primeiro-ministro Donald Tusk esteja disposto a fazê-lo, pois "sente que está contra as cordas". "E, naturalmente, em uma situação tão turbulenta, é muito difícil realizar eleições", concluiu.

Suposto "golpe de Estado" na Polônia

  • As declarações de Kneissl surgem no contexto das tensões que eclodiram na Polônia, após o Tribunal Constitucional ter denunciado um "golpe de Estado".
  • Nesta sexta-feira, Anna Korwin-Piotrowska exigiu a suspensão imediata das funções do presidente do Tribunal Constitucional da Polônia, Bogdan Swieczkowski, e de seu vice-presidente, Bartlomiej Sochanski. Ao mesmo tempo, ela se autoproclamou nova responsável pelo órgão.
  • Korwin-Piotrowska é uma das magistradas eleitas para integrar o Tribunal Constitucional pelo atual Parlamento polonês, onde a maioria dos assentos está nas mãos da coalizão que apoia o primeiro-ministro Donald Tusk.
  • Ao mesmo tempo, o presidente do país, Karol Nawrocki, recusou-se a empossá-la, o que complica sua situação jurídica.
  • Em meio à disputa política pelo controle da instituição, dezenas de pessoas se reuniram em frente ao Supremo Tribunal para protestar contra o que consideraram uma suspensão injusta de seus dirigentes.