A Neuralink, empresa de neurotecnologia do magnata Elon Musk, anunciou em sua conta do X uma tecnologia que possibilita pessoas com esclerose lateral amiotrófica (ELA) voltem se comunicarem usando seu implante cerebral N1.
Doenças como a ELA ou lesões na medula espinhal bloqueiam os sinais que o cérebro envia para a boca, língua e cordas vocais, deixando os pacientes incapazes de falar.
Os primeiros resultados, obtidos como parte do estudo clínico VOICE da Neuralink, mostraram que um paciente atingiu uma velocidade de 75 palavras por minuto durante a primeira semana de uso.
O sistema registrou uma taxa de erro de apenas 5,8% usando um vocabulário de 125 mil palavras. "Estamos possibilitando que participantes com ELA reproduzam fala e texto em taxas conversacionais", afirmou a empresa.
Esses avanços foram apresentados pelo Dr. Nader Pouratian durante um congresso médico sobre a doença, que está acontecendo esta semana na Flórida, nos EUA.
O objetivo de longo prazo da empresa é alcançar uma velocidade de conversação natural para que pessoas que perderam a fala voltem a comunicar em tempo real, utilizando apenas os seus pensamentos.
O ensaio clínico atualmente avalia participantes com mais de 22 anos de idade, com perda grave da fala e mobilidade reduzida dos membros.
Funcionamento da tecnologia
O dispositivo sem fio N1 é implantado no crânio e registra a atividade elétrica do córtex motor da fala, a região do cérebro que controla essa função. O usuário treina o sistema tentando articular palavras ou simplesmente imaginando o processo de pronúncia.
O software interpreta os padrões por trás dessas tentativas e os converte continuamente em texto. Esse texto é então transmitido para um computador ou telefone e reproduzido em voz alta.
A Neuralink implantou seu primeiro dispositivo num ser humano em janeiro de 2024 e, desde então, vários pacientes com ELA e lesões na medula espinhal o receberam. A velocidade e a precisão variam entre os participantes e melhoram enquanto o decodificador aprende seus padrões durante as primeiras semanas, explica a empresa.
Apesar desses avanços médicos, a tecnologia permanece em fase de testes e ainda não está disponível para venda pública. A própria empresa afirmou que "os dispositivos da Neuralink são experimentais e não foram aprovados pelo FDA [Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos] ou outras autoridades regulatórias".