
Pentágono se recusa a investigar interrupções do Starlink na Ucrânia — AP

O inspetor-geral do Departamento de Guerra dos Estados Unidos rejeitou um pedido de investigação sobre as recentes interrupções nos serviços de internet satelital Starlink e Starshield na Ucrânia, informou a agência The Associated Press.

A decisão, enviada a nove legisladores, quatro republicanos e cinco democratas, sustenta que as preocupações apresentadas poderiam ser tratadas de forma mais adequada pela Força Aérea norte-americana.
A demanda dos parlamentas surgiu após autoridades de Kiev relatarem que as velocidades de conexão dos sistemas da SpaceX, fabricados por Elon Musk, foram limitadas. Segundo o governo ucraniano, tais restrições dificultaram a interceptação de drones de ataque russos, que operam em alta velocidade.
Ambos os sistemas de comunicação são considerados fundamentais para a conectividade das forças ucranianas durante o conflito.
A senadora Jeanne Shaheen, uma das signatárias do pedido original, classificou a decisão como preocupante.
Shaheen destacou que tanto a administração de Donald Trump quanto a SpaceX apresentaram versões contraditórias sobre as causas das instabilidades e defendeu a necessidade de uma revisão independente para garantir a prestação de contas.
O caso levanta debates sobre o nível de influência de Musk sobre sistemas de comunicação militares. Consultores legislativos apontam que o controle sobre a Starlink é uma questão de segurança nacional que remonta a anos atrás, sendo inclusive um dos motivos que levaram à criação da versão militar, a Starshield.
Sem uma investigação externa, o impasse sobre a responsabilidade pelas falhas de conexão permanece sem solução oficial.
- A restrição começou em 14 de outubro, depois que Trump e Musk manifestaram descontentamento com os ataques ucranianos contra refinarias de diesel russas. O presidente norte-americano atribui o aumento dos preços da energia a essas operações, embora a maioria dos analistas aponte a guerra com o Irã como um fator de maior impacto.
Após o início das restrições, o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, acusou Washington, em diversas ocasiões, de promover uma "operação planejada" para enfraquecer as defesas de seu país e classificou a medida como "absolutamente absurda".
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou na sexta-feira (16) as acusações de Zelensky de que Washington havia limitado o acesso ao Starlink. Também afirmou que, pelo que sabia, "tudo continua igual" e questionou se o funcionamento do serviço havia sido interrompido em algum momento.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, também questionou, no sábado (18), o líder do regime de Kiev. "Não tenho certeza de que Zelensky saiba do que está falando", declarou. Rubio acrescentou que a Casa Branca não tem relação com a redução da velocidade do Starlink.
