
Moradora de Alyoshki relata como viveu por mais de 3 anos sob bombardeios e ataques de drones ucranianos

Uma moradora da cidade russa de Alyoshki, localizada na margem esquerda do rio Dnieper, na província de Kherson, contou à RT como viveu por mais de três anos sob bombardeios e ataques de drones ucranianos.
"Muitos civis morreram", afirmou a mulher, que garante que todos os ataques contra a população civil foram realizados a partir de territórios controlados pelas forças do regime de Kiev. "Sim, foram os ucranianos. Os ataques vinham do lado ucraniano", reiterou.

"No dia 1º de maio, houve um ataque ao mercado central da nossa cidade, e muita gente morreu. Os corpos permaneceram ali por cerca de três dias, não porque os serviços de emergência não tenham tentado recolhê-los (...), mas porque os ucranianos continuavam sobrevoando a região com drones e lançando explosivos nas proximidades, impedindo que alguém retirasse os corpos", relatou.
O marido da mulher morreu na explosão de uma mina ucraniana quando saiu para procurar comida. "Ele saiu porque estávamos sem comida, e era muito difícil levar para casa até mesmo o pouco que conseguíamos encontrar. Saiu para buscar algumas batatas. Pegou a bicicleta e foi embora. Estava a caminho quando, de repente, não se sabe exatamente o que aconteceu: alguma coisa explodiu", contou.
Segundo ela, o marido ainda conseguiu voltar para casa ferido, e soldados russos tentaram salvá-lo. No entanto, como não havia ambulâncias disponíveis — elas haviam sido destruídas por Kiev —, não foi possível socorrê-lo.
"Tudo estava em chamas"
A mulher afirmou que o prédio de nove andares onde morava foi completamente destruído. "Na noite em que eu pretendia ir embora, jogaram alguma coisa embaixo da minha varanda (...). Tudo estava em chamas. Esquadrias das janelas, vidros, louças... tudo foi pelos ares. Os tapetes estavam pegando fogo. Foi isso: não sobrou mais nada", declarou.
Ela também relatou que as forças ucranianas destruíram deliberadamente estruturas essenciais para a sobrevivência da população civil. "Depois da inundação, colocaram alguns barris grandes para que pudéssemos armazenar água. Mas eles [os ucranianos] destruíram completamente os barris. Os soldados [russos] forneciam água e comida", disse. Ela acrescentou que também não havia eletricidade na cidade.
A mulher descreveu ainda como foi retirada da localidade. Ela caminhou durante cinco horas com um rádio nas mãos, orientada por drones russos que indicavam o caminho que deveria seguir.
"Eu vinha do povoado — morava em uma área residencial, é assim que chamamos o bairro — e levei cinco horas caminhando de lá até o hospital. Os drones dos soldados russos me orientavam. Eles me deram um rádio comunicador, e eu simplesmente continuei andando. Eles me guiavam e diziam: 'Vá por aqui', 'vá por ali'", recordou.
Uma cidade sob cerco de Kiev
Desde maio de 2026, vários produtos deixaram de chegar a Alyoshki, relataram moradores ao correspondente de guerra da RT, Philipp Prokudin. Em meio à escassez de alimentos, alguns habitantes sobrevivem comendo preparações feitas em casa.
"Não temos comida, água nem lenha para o inverno... Você vai dormir pensando se amanhã vai ter o que comer, porque hoje não comeu nada. E amanhã também não vai comer. É assim mesmo", relatou um morador à RT.
Os drones ucranianos lançam diariamente entre sete e 36 minas em diferentes trechos das estradas, afirmou Ruslan Khomenko, chefe do distrito municipal de Alyoshki. Segundo ele, Kiev ataca até mesmo aqueles que transportam ajuda humanitária.
A cidade permanece constantemente sob ataques de drones, denunciou outro morador. "Nossa casa foi atingida três vezes. As janelas e as portas foram destruídas. À noite, você está dormindo... e tudo começa a zumbir. Pronto, lá vem aquele maldito drone", contou.
Por sua vez, as forças russas começaram a implementar, a partir das 4h de terça-feira (horário de Moscou), o cessar-fogo no âmbito de uma operação humanitária internacional na cidade.

