A Suíça suspendeu temporariamente financiamento à organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) após a revelação de um grave escândalo de abusos sexuais em campos de refugiados no Chade.
A Agência Suíça para o Desenvolvimento e a Cooperação (SDC, na sigla em inglês) tomou a decisão ao descobrir que a organização humanitária não informou, em tempo hábil, sobre a real dimensão da situação.
A informação foi revelada pelo jornal suíço NZZ am Sonntag, no dia 24 de outubro, com base em e-mails e documentos oficiais internos.
A crise teve início em 2023, quando milhares de pessoas fugiram da guerra civil no Sudão em direção ao país vizinho, o Chade. Um relatório de investigação interna da própria ONG detalhou que as autoridades locais precisaram impor um toque de recolher para proteger as adolescentes. O objetivo da medida não era evitar o contato com soldados ou rebeldes, mas sim impedir que as menores visitassem a equipe da MSF.
A investigação dos Médicos Sem Fronteiras revelou uma rede de exploração sexual, na qual funcionários aproveitavam a vulnerabilidade de mulheres refugiadas para exigir favores sexuais em troca de dinheiro, empregos ou ajuda humanitária. O caso resultou em 59 denúncias de má conduta e na demissão de 18 funcionários.