PF indicia Daniel Vorcaro e outros 14 por fraudes envolvendo BRB e Master; defesa nega

Advogados afirmam que carteiras de crédito foram substituídas por outros ativos e sustentam que não há perícia oficial comprovando perdas nas operações com o BRB.

A defesa de Daniel Vorcaronegou que as operações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), envolvendo carteiras de crédito vinculadas à empresa Tirreno, tenham causado prejuízos à instituição pública. Em nota, os advogados afirmaram que os ativos foram substituídos e que as transações teriam gerado resultados positivos para o banco. Também contestaram a investigação ao declarar que nenhuma perícia oficial comprovou as perdas apontadas.

A manifestação ocorreu após a Polícia Federal indiciar na quarta-feira (29) Vorcaro e outras 14 pessoas na investigação sobre suspeitas de fraudes financeiras envolvendo as duas instituições. Segundo a PF, o prejuízo já identificado chega a aproximadamente R$ 2,7 bilhões, parte relacionada a carteiras de crédito consideradas inexistentes e atribuídas à Tirreno, apontada pelos investigadores como uma empresa de fachada.

No relatório, a Polícia Federal atribuiu ao ex-controlador do Master "participação pessoal, reiterada e diretiva" nas operações investigadas. Também foram indiciados o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Os investigados foram acusados de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A defesa de Vorcaro afirmou ainda que, mesmo após um ano de apurações, a PF estaria repetindo as mesmas alegações sem apresentar avanços suficientes. O caso integra a primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga transações entre as instituições financeiras.

A Polícia Federal encaminhou o relatório à Procuradoria-Geral da República (PGR) e solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) mais 60 dias para concluir perícias pendentes e apresentar informações complementares. O indiciamento representa a conclusão da avaliação policial sobre os investigados, mas não equivale a uma condenação judicial.