
Rei da Inglaterra reconhece 'grande sofrimento histórico' devido ao tráfico de escravos no Caribe

O rei do Reino Unido, Charles III, reconheceu o "grande sofrimento" causado pelo tráfico de escravos no Caribe. A declaração, noticiada pelo jornal The Telegraph, foi feita após sua chegada às Bahamas, durante um encontro juvenil realizado em Clifford Park, em Nassau, capital do país caribenho.
"É justo reconhecermos o grande sofrimento do passado nestas ilhas e além, ao mesmo tempo que nos alegramos com os sucessos do presente e construímos novas oportunidades para o futuro", disse Charles III em seu discurso, após testemunhar, a caminho do local, manifestantes com cartazes com os dizeres "Paguem-nos o que nos devem!" e "Reparações agora!".

O monarca comentou estar ciente de que os líderes dos governos dos países afetados da Comunidade de Nações do antigo Império Britânico discutirão os problemas e os danos causados pela escravidão durante a próxima cúpula bienal dos 56 países membros da Commonwealth, que será realizada de 1 a 4 de novembro em Antígua e Barbuda.
O rei reconheceu que parte da cultura bahamense "nasceu da escuridão". Sua posição foi reforçada por um porta-voz do Reino, que declarou ao The Telegraph que Charles III "buscou se envolver, compreender e educar sobre os aspectos mais vergonhosos do passado" britânico.
Segundo o mesmo jornal, o Secretário-Geral da Commonwealth afirmou recentemente que um pedido de desculpas pela escravidão "não faria mal" e que "chegou a hora" de discutir reparações.
Nesse sentido, fontes da monarquia declararam que Charles III não "evitará" ouvir e discutir o tráfico de escravos, embora tenha sido esclarecido que a decisão sobre reparações cabe ao governo do Reino Unido, e não ao rei.
