A Polícia Federal investiga se o ex-deputado Eduardo Bolsonaro teve participação na saída do irmão, o senador e candidato derrota Flávio Bolsonaro, do Brasil, apesar de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que o proibia de deixar o país. As informações são do Jornal Nacional. Os investigadores apuram se a divulgação de informações desencontradas teria sido utilizada para desviar a atenção do trajeto percorrido pelo parlamentar.
A entrada de Flávio Bolsonaro na Argentina foi confirmada na madrugada de quarta-feira (28) pela Direção Nacional de Migrações do país. Segundo as autoridades argentinas, o senador atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú, acompanhado da esposa e das duas filhas. A Polícia Federal informou que não há registro oficial de saída do grupo do território brasileiro.
Apesar do cancelamento dos passaportes comum e diplomático do senador, determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, Flávio teria utilizado um passaporte italiano para embarcar em um jato particular. A família seguiu para Guayaquil, no Equador, em um voo que partiu de Puerto Iguazú à 0h22, no horário de Brasília. A aeronave chegou ao destino às 5h46 e decolou novamente às 6h22, com destino aos Estados Unidos.
A Direção Nacional de Migrações da Argentina afirmou que Flávio e seus familiares apresentaram documentos de viagem válidos e não tinham impedimentos legais para entrar no país. A Polícia Federal confirmou o cancelamento dos documentos brasileiros do senador e a inclusão de um alerta no sistema de controle migratório Sonar. O órgão ressaltou que restrições relacionadas a documentos, isoladamente, não tornam uma pessoa foragida nem autorizam automaticamente sua prisão.
Além de investigar como o senador deixou o Brasil, a PF analisa apossível participação de Eduardo Bolsonaro e do governo argentino no episódio. A hipótese envolve o uso de informações contraditórias que poderiam ter dificultado a identificação do percurso. Até o momento, porém, não há confirmação de que o ex-deputado ou autoridades argentinas tenham atuado para facilitar a saída do parlamentar.