O presidente da Rússia, Vladimir Putin, discursou no Fórum Econômico e Humanitário, realizado no âmbito da III Cúpula Rússia-África. O evento acontece em Moscou nos dias 28 e 29 de outubro sob o lema "Juntos, desenvolvemos uma cooperação mutuamente benéfica e o potencial de cada país africano".
Confira alguns dos principais pontos do discurso.
Mundo multipolar
- O mundo multipolar está se tornando uma realidade.
- A era em que o destino de continentes inteiros era decidido por um pequeno grupo de países está chegando ao fim "de forma irreversível".
- Ainda existem países que resistem à formação de um mundo multipolar e "recorrem às táticas mais desprezíveis e cínicas, incluindo guerras tarifárias, sanções ilegítimas, imposições econômicas, chantagem e ingerência nos assuntos internos".
Há tentativas claras e ativas de países ocidentais de submeter novamente os países africanos à "servidão por dívida".
O papel dos BRICS
"Novos centros de governança global estão se formando, pontos de atração e reconfiguração da ordem mundial", observou o presidente.
O grupo BRICS ocupa um lugar central nesse processo. Putin descreveu o grupo como "praticamente a maior associação do mundo, abrangendo um terço da superfície terrestre e incluindo os principais países da Eurásia, América Latina, Oriente Médio e, claro, África".
Nos últimos cinco anos, os países do BRICS responderam por mais de 40% do PIB mundial, enquanto a participação do Grupo dos Sete (G7) ficou abaixo de 30%.
Um "novo despertar" da África
A influência e o peso do continente africano no cenário internacional estão aumentando.
Segundo Putin, está em curso "um novo despertar" do continente.
Não é por acaso que a África é chamada de "continente do futuro": até 2030, o centro do crescimento demográfico mundial deverá se deslocar para a região.
12 das 20 economias que mais crescem no mundo estão na África.
Cooperação entre Rússia e África
A Rússia participa ativamente dos esforços para promover a recuperação financeira da África.
Moscou defende de forma consistente o fortalecimento do papel africano nas instituições internacionais de desenvolvimento, sobretudo no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial.
A reforma dessas organizações é uma necessidade apontada há bastante tempo.
A Rússia está disposta a ampliar ainda mais suas exportações de produtos agrícolas para o continente africano.
Mais de 40 países africanos já recebem fertilizantes e cereais russos.
Tecnologia, comércio e energia
A Rússia vem trabalhando há anos para fortalecer sua soberania tecnológica e alcançou resultados expressivos em diferentes áreas.
Moscou está disposta a compartilhar com seus parceiros africanos competências modernas e conhecimentos técnicos em tecnologias digitais avançadas.
Em um futuro próximo, o comércio entre a Rússia e a África poderá ultrapassar US$ 50 bilhões.
A Rússia participa da execução de mais de 30 projetos energéticos promissores em 16 países africanos.
Educação, saúde e transportes
Desde 2020, o número de estudantes africanos que estudam na Rússia aumentou 1,5 vez.
Moscou continuará prestando assistência à África na área da saúde.
A Rússia pretende transferir para o continente africano a produção de medicamentos e vacinas, além de instalar laboratórios e centros de diagnóstico.
As companhias aéreas africanas estão sendo convidadas a estabelecer voos para a Rússia.
A cooperação em prol de um desenvolvimento soberano é a ideia central das atuais relações entre a Rússia e a África.