Maioria esmagadora rejeita o bloqueio dos EUA contra Cuba na ONU

Somente no último ano, as medidas coercitivas unilaterais de Washington contra a ilha causaram prejuízos na ordem de 8 bilhões de dólares e inúmeros danos sociais.

Neste dia 28 de outubro, a Assembleia Geral das Nações Unidas condenou, por ampla maioria, o bloqueio econômico e financeiro imposto pelos EUA a Cuba há mais de seis décadas — um cenário precedido por pressões inéditas de Washington para tentar minar o apoio a Havana, conforme denunciaram repetidamente as autoridades cubanas.

A resolução referente ao fim do bloqueio, apresentada pelo país caribenho, recebeu 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções.

Aos tradicionais votos contrários dos EUA e de Israel, somaram-se, desta vez, os da Argentina, Colômbia, Costa Rica, Equador e Ucrânia, entre outros.

Já entre as nações que se abstiveram, destacam-se o Chile, a República Dominicana, Honduras e o Peru.

"Nova vitória de Cuba", afirmou o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, nas redes sociais. "Nova demonstração de que #CubaNãoÉUmaAmeaça — o bloqueio, sim", acrescentou, utilizando a hashtag oficial do governo cubano.

As denúncias de Cuba

No dia 21 de outubro, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, acusou — com documentos em mãos — a Casa Branca de utilizar seu aparato diplomático, e até mesmo o secretário de Estado, Marco Rubio, para pressionar delegações e chefes de Estado, com o objetivo de forçá-los a não apoiar a resolução que exige o fim imediato das medidas coercitivas unilaterais contra a ilha.

"A imensa maioria dos Estados-membros da ONU manterá seu apoio à resolução. A comunidade internacional tem consciência da natureza criminosa do bloqueio. Está a par do cruel e contínuo endurecimento ocorrido este ano. Conhece a aplicação de sanções secundárias e o uso da intimidação para impedir que governos e empresários de qualquer parte do mundo comercializem e se relacionem com Cuba", escreveu o alto oficial em seu perfil no X, naquele mesmo dia.

Afirmou, ainda, que "a comunidade internacional compreende o impacto do bloqueio energético e os danos que este causa à população e à economia", e "rejeita, política e moralmente, a tentativa de asfixiar uma população inteira por meio da fome, da miséria e do desespero". Ressaltou, também, que "o castigo coletivo e as tentativas genocidas" são severamente condenados "em quase todas as sociedades".

Para fundamentar suas alegações, Rodríguez apresentou dados coletados pelo governo de Cuba em uma plataforma digital sobre os impactos causados ​​pelo bloqueio — números que são atualizados em tempo real. Segundo seus cálculos, apenas entre 1º de março de 2025 e 28 de fevereiro de 2026, as medidas coercitivas econômicas dos Estados Unidos custaram à nação caribenha US$ 8 bilhões, um montante 7% superior ao do período imediatamente anterior.

No dia 29 de janeiro, o presidente norte-americano, Donald Trump, assinou uma ordem executiva declarando uma "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo a Casa Branca, Havana representaria para a segurança dos Estados Unidos e da região. Com base nisso — sob o argumento de que Cuba acolhe "grupos terroristas internacionais" —, o país norte-americano impôs diversas medidas coercitivas unilaterais, as quais comprometeram ainda mais as condições de vida dos cubanos.