A Volkswagen pode começar a utilizar software chinês,em vez do produto desenvolvido pela empresa norte-americana Rivian em seus modelos na Europa, informou a revista especializada Manager Magazine nesta segunda-feira (26), citando fontes familiarizadas com o assunto.
O chefe da marca, Thomas Schafer, planejava apresentar ao conselho de administração do grupo um plano para ampliar o uso de tecnologias chinesas. A iniciativa abrangeria aproximadamente três quartos dos modelos de próxima geração das marcas Volkswagen, Skoda e Cupra, que estão ampliando sua oferta de veículos elétricos na Europa.
Os sistemas desenvolvidos pelos parceiros chineses já funcionam com sucesso em veículos comercializados no gigante asiático, inclusive naqueles que utilizam plataformas antigas do Grupo Volkswagen desenvolvidas na Europa.
Além disso, a base tecnológica chinesa mostra-se mais econômica do que o software da Rivian. Segundo estimativas, a empresa poderia economizar entre 4 bilhões e 5 bilhões de euros (entre 4,5 bilhões e 5,6 bilhões de dólares) ao adotar a tecnologia chinesa para a produção de seus principais modelos.
Até agora, a companhia utilizava o software desenvolvido em conjunto com a Xpeng para o mercado chinês e uma tecnologia diferente, criada em colaboração com a Rivian, para os veículos destinados aos mercados ocidentais.
Programa de reestruturação
A gigante automotiva alemã enfrenta, há algum tempo, graves dificuldades econômicas. Conforme noticiado em setembro, a diretoria da Volkswagen preparava-se para recomendar o fechamento gradual de quatro fábricas na Alemanha, como parte de um programa de reestruturação destinado a "estabilizar a classificação de crédito da Volkswagen e os custos de capital e de refinanciamento associados", uma vez que as atuais estruturas empresariais "já não são suficientes para garantir a competitividade e a rentabilidade a longo prazo".
Como parte de seu programa de redução de custos, a empresa também planejava encerrar a produção de automóveis da marca espanhola SEAT e estudava a possibilidade de vender a fabricante italiana de motocicletas Ducati. Recentemente, a Volkswagen também anunciou planos de congelar, até 2030, os salários de uma parcela significativa de seus 600.000 funcionários ao redor do mundo.