
Derretimento de geleiras nos alpes italianos revela segredo da 1ª Guerra Mundial

O derretimento acelerado das geleiras nas Dolomitas, no norte da Itália, trouxe à superfície mais de 250 artefatos explosivos da Primeira Guerra Mundial. Segundo o jornal The Guardian, os dispositivos foram encontrados durante o verão e removidos por especialistas do Exército italiano.
Entre os materiais recuperados estavam projéteis de artilharia italianos de 75 milímetros e granadas de morteiro de fabricação francesa, utilizadas também pelo Exército Real Italiano durante o conflito.
Os explosivos são vestígios da chamada "Guerra Branca", travada entre tropas italianas e austro-húngaras em terrenos montanhosos de condições extremas, entre 1915 e 1918. Durante os combates, soldados enfrentaram frio intenso, avalanches e dificuldades para se deslocar em regiões cobertas de neve e gelo.

Explosivos preservados pelo gelo
Segundo Stefano Morosini, professor da Universidade de Bérgamo e coordenador de projetos de patrimônio no Parque Nacional do Stelvio, o aquecimento global contribui para o reaparecimento desses materiais.
Muitos permaneceram preservados sob o gelo por mais de cem anos, mas continuam perigosos e podem explodir.
As geleiras também revelaram outros vestígios históricos, como armas, trenós, cartas e diários. Em 2015, o derretimento do gelo no monte Scorluzzo expôs um abrigo militar construído dentro de uma caverna, onde foram encontrados roupas, lanternas, cartões-postais, jornais e alimentos enlatados deixados pelos soldados.
O fenômeno, porém, representa um risco para excursionistas e alpinistas. O Exército italiano recomenda que qualquer artefato suspeito seja deixado intacto e comunicado imediatamente às autoridades.
