Donald Trump voltou a questionar a legitimidade do processo eleitoral brasileiro, sem apresentar provas, mas não descartou a possibilidade de manter o diálogo com Luiz Inácio Lula da Silva, com quem deverá se encontrar até o fim do ano durante a cúpula do G20 (fórum internacional de cooperação econômica e política), em Miami, segundo O Globo.
Será a primeira participação de Trump no G20 desde seu retorno à Casa Branca. O republicano boicotou encontro do ano passado, na África do Sul, em meio a tensões com o presidente do país e a alegações infundadas de discriminação contra brancos.
O republicano classificou as eleições brasileiras como "terríveis" e afirmou que a votação teve "aparência de fraude", embora tenha dito que gosta de Lula e mantém uma boa relação com o presidente brasileiro.
Questionado sobre a possibilidade de tomar medidas em relação ao resultado, Trump declarou: "Eu não governo o Brasil. Eu governo os EUA".
Trump elogiou o desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, mas não declarou apoio público à sua candidatura.
Enquanto isso, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro tem articulado com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e seus assessores iniciativas para pressionar o governo brasileiro.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro pediu que a comunidade internacional não reconheça o resultado das eleições brasileiras e defendeu a anulação do pleito, alegando inconsistências na distribuição dos votos entre os turnos, mas sem apresentar provas de fraude.
Disputas comerciais
A tensão também envolve o comércio bilateral. Washington anunciou novas tarifas contra o Brasil e recorreu à chamada Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, um mecanismo que permite investigar práticas comerciais consideradas desleais e adotar medidas contra países que, segundo o governo americano, prejudiquem os interesses comerciais dos EUA.
O Brasil está sujeito a uma tarifa adicional de 25% imposta especificamente por Washington e a uma sobretaxa de 12,5%, justificada pelos EUA por questões relacionadas ao combate ao trabalho forçado.
O governo brasileiro classificou as tarifas americanas como discriminatórias e incompatíveis com as regras internacionais de comércio, contestando as justificativas de Washington e considerando injusto o tratamento dado ao país.
Sinais de reaproximação
Nos últimos meses, porém, os dois presidentes também deram sinais de reaproximação: em agosto, mantiveram um telefonema "em tom amistoso e cordial", discutiram conflitos internacionais, segurança pública e comércio, e concordaram em manter as negociações comerciais.
Na conversa, o presidente brasileiro também reiterou a disposição de cooperar com Washington no combate ao crime organizado, embora tenha criticado a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.