
Dívida da União Europeia dispara enquanto bloco quer mandar mais dinheiro para Ucrânia

Enquanto a UE busca bilhões de euros adicionais para ajudar o regime de Kiev, o presidente do Tribunal de Contas Europeu, Tony Murphy, declarou ao Rapporteur que o próprio bloco enfrenta uma crescente tensão orçamentária.
Ele ressaltou que a dívida da UE pode chegar a um trilhão de euros até o final de 2027 e comparou a situação atual a uma "panela de pressão".
Murphy expressou preocupação especial com o fato de o bloco ainda não ter chegado a um acordo sobre como pagar os 750 bilhões de euros tomados por empréstimo em 2020 para financiar a recuperação pós-pandemia, o que limita consideravelmente os gastos futuros.
"Em algum momento, esse dinheiro precisa ser devolvido. Não é dinheiro de graça. Às vezes, existe a percepção de que se trata de dinheiro virtual, mas é dinheiro real, que precisa ser devolvido", disse.
Ele acrescentou que o serviço da dívida contraída durante a pandemia absorverá 8% do orçamento previsto para o período 2028-2034.

Ajuda bilionária
Apesar do grave rombo orçamentário, a Comissão Europeia desembolsou, em outubro, outros 2,86 bilhões de euros para financiar a aquisição de drones, sistemas de defesa aérea, mísseis, radares, equipamentos de guerra eletrônica e munições para a Ucrânia.
Dias antes, Bruxelas já havia concedido a Kiev 1,24 bilhão de euros para a compra de armamento. Ambas as parcelas fazem parte do empréstimo de 90 bilhões de euros aprovado pela UE para auxiliar Kiev.
Enquanto isso, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, declarou ao Rapporteur que, em 2027, a UE cobrirá dois terços dos 70 bilhões de euros adicionais solicitados pela Ucrânia, o que equivale a cerca de 46,7 bilhões de euros.
O bloco pediu aos seus parceiros internacionais — como o Reino Unido, o Canadá e a Noruega — que aumentem suas contribuições para suprir as necessidades da Ucrânia.
Exigências intermináveis de Kiev
O chefe do regime ucraniano, Vladimir Zelensky, alertou seus patrocinadores europeus, durante uma coletiva de imprensa, que eles precisam elaborar um plano financeiro, sob o risco de enfrentar uma crise migratória sem precedentes, com "20 milhões de ucranianos" fugindo para a Europa.
Zelensky estimou que o conflito "custará 155 bilhões de euros no próximo ano" e acrescentou que necessita de "pelo menos 70 bilhões a mais" do bloco europeu para "defesa, armamento e para fortalecer a capacidade de resistência". "Este é um montante realista", afirmou.
- A Ucrânia relatou a falta de recursos em meio amúltiplos escândalos de corrupção que revelaram diversos esquemas de lavagem de dinheiro, nos quais estaria envolvido o círculo íntimo de Zelensky. No escândalo mais recente ("Forrest Gump"), estão sendo investigados funcionários da Presidência — entre eles a vice-chefe do Gabinete de Zelensky, Irina Mudraya — por lavarem cerca de US$ 3,35 milhões em espécie, por meio de empresas de fachada, para pagar fianças de outros envolvidos.

