Alckmin cita urna eletrônica e rebate acusação de Trump sobre fraude na eleição: 'Brasil é exemplo'

O vice-presidente defendeu ainda a continuidade das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, apesar das divergências.

O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou como "totalmente equivocadas" as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre as eleições brasileiras.

"Primeiro, não se interfere na política de outro país, essa é uma regra basilar. Segundo, não tem nenhum referencial para dizer isso. Aliás, o Brasil é um exemplo para o mundo de urna eletrônica, de segurança jurídica", declarou, em entrevista à Rede Vanguarda.

O político acrescentou que a democracia pressupõe a alternância de resultados eleitorais e que cabe à população decidir quem governa: "Você ganha eleição, você perde eleição, é o povo que decide".

Alckmin defendeu ainda a continuidade das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, apesar das divergências. "O caminho é o caminho da negociação", disse, acrescentando que, após o encerramento do processo eleitoral, os dois países devem continuar as tratativas para alcançar um bom acordo.

Pleito "terrível"?

Mais cedo, Trump classificou o pleito presidencial brasileiro como "terrível" e afirmou que a votação teve "aparência de fraude" ao comentar a derrota de Flávio Bolsonaro. "Não tomei partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada, francamente", declarou a jornalistas.

Em outro momento, o mandatário questionou a forma como os votos foram contabilizados e classificou como "muito estranha" a prorrogação relacionada ao processo eleitoral, expedida pelo ministro Cristiano Zanin. 

Questionado sobre a possibilidade de tomar medidas em relação ao resultado eleitoral brasileiro, Trump afirmou: "Eu não governo o Brasil. Eu governo os EUA". Ele também destacou seu bom relacionamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.