Vírus desenvolvido com inteligência artificial é usado pela primeira vez em paciente

Embora a terapia com bacteriófagos exista há mais de um século, a nova abordagem baseada em inteligência artificial visa acelerar o desenvolvimento de tratamentos personalizados para "pacientes que não podem esperar".

Uma startup de biotecnologia chamada Radical Numerics utilizou inteligência artificial (IA) para desenvolver um bacteriófago — vírus capaz de infectar e destruir bactérias — destinado a tratar uma infecção persistente em um paciente humano. Segundo a empresa, trata-se do primeiro ensaio clínico mundial com uma terapia desse tipo desenvolvida com auxílio da tecnologia.

Por meio de seu modelo de IA, chamado Omnii, os pesquisadores criaram variantes de um bacteriófago T7 para combater uma infecção por Escherichia coli (E. coli) resistente aos antibióticos tradicionais e aos bacteriófagos disponíveis. O ensaio foi autorizado pela agência reguladora americana Food and Drug Administration (FDA).

A terapia com bacteriófagos já existe há mais de um século, mas encontrar um vírus capaz de combater uma bactéria específica pode levar tempo. A nova abordagem busca acelerar esse processo por meio do desenvolvimento de vírus personalizados em laboratório.

Resultado extraordinário 

A empresa não revelou a identidade do paciente nem os resultados do tratamento. O microbiologista Michael Baym, da Universidade Harvard, afirmou que o resultado seria extraordinário caso funcione, mas ressaltou a necessidade de aguardar evidências. Outros pesquisadores destacam que testes de laboratório não garantem eficácia contra infecções em pacientes reais.

A Radical Numerics pretende explorar a tecnologia também no desenvolvimento de vacinas contra o câncer e na identificação precoce de vírus com potencial para provocar futuras pandemias.