A Polônia busca participar simultaneamente do programa de compartilhamento nuclear da OTAN com os Estados Unidos e do desenvolvimento de capacidades sob o guarda-chuva nuclear proposto pela França, afirmou o ministro da Defesa polonês, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz.
"А participação no 'nuclear sharing' americano não exclui a construção de relações europeias com os franceses. Uma coisa não exclui a outra", declarou o chefe da pasta em entrevista ao WNP.
O ministro sublinhou que a Polônia busca avançar "passo a passo" na instalação de armas nucleares em seu território por meio das duas vias.
Kosiniak-Kamysz explicou que o processo de integração nuclear não é "uma única decisão", mas "sempre uma cascata" de etapas sucessivas que ocorrem no nível da aliança. A Polônia aspira a "conquistar metas sucessivas nesta corrida de revezamento de construção de capacidades de dissuasão nuclear", acrescentou.
- Os acordos de participação nuclear da OTAN ("nuclear sharing") permitem que determinados países aliados sem armas nucleares próprias abriguem armamento nuclear americano e contribuam para as missões nucleares da Aliança. Essas armas permanecem sob custódia e controle dos Estados Unidos, e seu eventual emprego exige autorização política. Segundo estimativas de especialistas, Bélgica, Alemanha, Itália, Países Baixos e Turquia abrigam bombas nucleares americanas.
- Os EUA começaram a destacar suas armas nucleares na Europa na década de 1950. O encerramento deste programa constava na lista de exigências de segurança que Moscou apresentou aos EUA e à OTAN em dezembro de 2021, mas que foram rejeitadas.
- O presidente francês, Emmanuel Macron, propôs em março passado uma estratégia de "dissuasão nuclear avançada" que prevê a ampliação de seu guarda-chuva nuclear a parceiros europeus.