Eduardo Bolsonaro questiona urnas e defende que Flávio deixe o Brasil se perder eleição

Em podcast americano, ex-deputado também brincou sobre envio de fuzileiros navais e fez alegações sobre o sistema eleitoral brasileiro.

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) defendeu que seu irmão, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), deixe o Brasil caso seja derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições. Durante entrevista a um podcast americano, Eduardo também questionou a confiabilidade das urnas eletrônicas brasileiras.

A declaração ocorreu no programa "Louder with Crowder", apresentado pelo comentarista político Steven Crowder, nos Estados Unidos. Questionado sobre o que deveria ser feito caso Flávio perdesse a eleição, Eduardo respondeu, em tom de brincadeira, "Mandar os fuzileiros navais", provocando risos no estúdio.

Em seguida, o ex-deputado adotou um tom sério ao defender a saída do irmão do país. "Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza", afirmou.

Eduardo justificou a posição alegando que Lula teria ameaçado investigar Flávio durante o debate presidencial. Segundo ele, o presidente mencionou que o senador perderia a imunidade parlamentar caso fosse derrotado e deixasse o Senado.

Críticas às urnas

O ex-deputado também levantou suspeitas sobre a segurança das urnas eletrônicas, argumentando que o sistema brasileiro não utiliza cédulas de papel e depende da confiança dos eleitores nas máquinas. Ele afirmou que a ausência de uma contagem pública dos votos dificultaria a comprovação de eventuais irregularidades.

"Da mesma forma que eu não posso provar que houve fraude, eles não podem provar que não houve", declarou Eduardo.

Apesar das alegações, não há registros de fraude comprovada nas urnas eletrônicas brasileiras, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao final da votação, cada equipamento imprime um boletim com os resultados da seção eleitoral, disponibilizado aos fiscais partidários e publicado na internet para conferência.

Eduardo também criticou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) contrárias ao voto impresso. O Congresso aprovou leis que previam o mecanismo em 2002, 2009 e 2015. A primeira foi revogada pelo próprio Legislativo, enquanto dispositivos das outras duas foram derrubados pelo STF, sob o argumento de que ameaçavam o sigilo do voto.

Condenação no STF

Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde 2025 e perdeu o mandato de deputado federal por excesso de faltas.

Em junho de 2026, foi condenado pela Primeira Turma do STF a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. A condenação se tornou definitiva em 3 de outubro, e o ministro Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena e a expedição de mandado de prisão.