
Flávio Bolsonaro articula entrada de banco dos EUA no Banco do Brasil

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e seu irmão Eduardo Bolsonaro estariam articulando a entrada do Bank of America no capital do Banco do Brasil. Segundo informações publicadas pelo Relatório Reservado, a operação poderia ocorrer caso o senador vença o segundo turno das eleições, sem necessariamente retirar o controle da instituição das mãos da União.
De acordo com uma fonte ligada à campanha ouvida pelo veículo, Eduardo mantém conversas com interlocutores do governo norte-americano desde antes do início da disputa eleitoral. As negociações envolveriam representantes do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos e da Casa Branca, com o objetivo de viabilizar a aquisição de uma participação relevante no Banco do Brasil pelo Bank of America.
O modelo em discussão permitiria ao banco norte-americano ocupar assentos no conselho e participar da administração e das decisões estratégicas da instituição brasileira, mesmo como acionista minoritário. A operação também teria como objetivos atrair capital privado, contribuir para o ajuste das contas públicas e estreitar as relações econômicas com os Estados Unidos e o governo de Donald Trump.

Flávio nega privatização
A possível negociação contrasta com declarações públicas da campanha de Flávio Bolsonaro. Em 8 de outubro, o coordenador econômico do candidato, Adolfo Sachsida, descartou a privatização do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e da Petrobras em um eventual governo do senador.
"Não existirão privatizações de empresas. Nenhuma dessas empresas será tocada", afirmou Sachsida em vídeo publicado na rede social X.
O próprio Flávio Bolsonaro também rejeitou as acusações de que privatizaria as instituições. Durante entrevista à TV Globo, em 16 de outubro, o candidato acusou a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de promover "terrorismo" contra servidores públicos e funcionários de estatais ao associar sua candidatura à venda do Banco do Brasil, da Caixa e da Petrobras.
As declarações ocorreram após Daniella Marques, integrante da equipe econômica de Flávio, admitir, em setembro, a possibilidade de privatização do Banco do Brasil durante um evento do Grupo Esfera. Na ocasião, ela argumentou que as ações da instituição eram negociadas abaixo de seu valor patrimonial, conforme relatou o Relatório Reservado.
A aproximação entre os dois bancos também não é uma proposta inédita. Em novembro de 2018, após a eleição de Jair Bolsonaro, o então futuro ministro da Economia Paulo Guedes levantou a hipótese de uma fusão entre Banco do Brasil e Bank of America. Ele voltou a abordar o assunto em maio de 2019, durante um evento em Dallas, nos Estados Unidos.
Controle acionário
Um dos principais obstáculos à eventual operação seria a estrutura acionária do Banco do Brasil. A União detém 50% mais uma ação da instituição, participação necessária para preservar o controle. Nas condições atuais, uma venda relevante de ações federais poderia comprometer essa posição.
Segundo o Relatório Reservado, os articuladores estudariam alternativas societárias para permitir a entrada do Bank of America sem necessariamente transferir o controle estatal. A possibilidade de participação na administração, porém, não equivale, por si só, à privatização integral da instituição.
Além da dimensão financeira, a possível associação teria como objetivo uma aproximação econômica com a administração Trump. A entrada do banco norte-americano poderia ampliar a cooperação em áreas como financiamento de exportações, infraestrutura, câmbio e mercado de capitais.
O Bank of America também enfrenta problemas regulatórios nos Estados Unidos. A Rede de Fiscalização de Crimes Financeiros (FinCEN), vinculada ao Tesouro norte-americano, anunciou uma penalidade de US$ 1,2 bilhão contra a instituição por falhas no combate à lavagem de dinheiro e na comunicação de operações suspeitas.

