'ZZ': a rota de expatriados e urnas nas eleições brasileiras fora do país

Enquanto o eleitorado brasileiro morando fora do país se aproxima de um milhão de pessoas, as autoridades eleitorais enfrentam o desafio de administrar remessas de urnas eletrônicas, suporte remoto e distribuição de seções.

O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) é responsável pela administração de uma circunscrição eleitoral única no planeta: a Zona Eleitoral do Exterior, identificada pela sigla "ZZ", responsável por organizar a votação de brasileiros residentes em 102 países.

O eleitorado brasileiro no exterior cresceu expressivamente nas duas últimas décadas, partindo de 86 mil em 2006 para 918 mil em 2026, um aumento superior a 1000%.

A abstenção permanece elevada, atingindo 62%, superior aos 56,24% de 2022, devido às grandes distâncias entre residência e locais de votação.

Esse aspecto é bem ilustrado pela comunidade brasileira na Rússia, que reside no país de maior extensão territorial do planeta e, independente do local fático de moradia, deve se dirigir à única seção eleitoral do país instalada na embaixada brasileira da capital, Moscou, para participar do pleito.

A distribuição de seções de votação só ocorre se houver ao menos 30 eleitores aptos no país em questão e tende a acompanhar a estrutura consular; isto é, a jurisdição de embaixadas, consulados-gerais, consulados e vice-consulados. É possível, porém, que uma representação do Itamaraty ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorize excepcionalmente locais de votação fora destas instalações para melhor comportar a distribuição demográfica do eleitorado ou facilitar questões operacionais.

Diferentemente dos brasileiros no território nacional, quem transfere título para o exterior vota exclusivamente para presidente e vice-presidente, sem participar da escolha de governadores, senadores ou deputados.

Preparo das urnas

Diferentemente do que ocorre no Brasil, os equipamentos não retornam ao país entre os turnos devido à estreita janela de tempo de 21 dias, permanecendo nos países onde foram instalados. No 1º turno, somente a seção eleitoral de Moscou realizou a votação manual em papel, uma vez que a urna eletrônica destinada à Rússia ficou presa em Madri, na Espanha.

Para o dia 25, o TRE-DF enviou ao exterior 15 urnas adicionais de contingência para os EUA, Japão e países europeus. Segundo dados oficiais, elas substituirão 29 urnas que apresentaram falhas e danos no processo para o 1º turno, atribuídas à logística do transporte prolongado nas viagens internacionais.

O preparo dos equipamentos na passagem de turnos começou mesmo antes do primeiro turno, em setembro, quando o TRE-DF enviou duas mídias para cada urna, correspondentes cada rodada de votação.

Após o fechamento do sistema pelo TSE com os candidatos classificados, os arquivos são enviados aos servidores vinculados ao Itamaraty, capacitados para inserir dados e testar o funcionamento dos equipamentos remotamente, conforme explicou o secretário de Tecnologia Andrey Bernardes ao portal g1.