Forças apoiadas pela Arábia Saudita ameaçam Houthis, mas recuam após dura advertência

Ministro da Defesa pediu desculpas após classificar reuniões tribais como "alvos militares legítimos"; Houthis haviam alertado para "consequências catastróficas" em caso de ataque.

O ministro da Defesa do governo do Iêmen, Taher al Aqili, apresentou desculpas oficiais às tribos iemenitas por um comunicado no qual o ministério sob seu comando ameaçava atacar reuniões tribais em áreas controladas pelos Houthis.

"Insistimos que o alerta publicado pela conta do Ministério da Defesa em 22 de outubro de 2026, referente às reuniões tribais, é uma declaração incorreta e inaceitável. Em meu nome e em nome de todos os funcionários do Ministério da Defesa, apresento minhas mais sinceras desculpas às tribos e determinei às autoridades competentes do ministério que investiguem imediatamente o caso", afirmou o ministro em sua conta no X.

O comunicado inicial do Ministério da Defesa do governo alinhado a Riade, posteriormente excluído de sua conta oficial, alertava a população para que não participasse de reuniões tribais, manifestações ou "cursos culturais" em territórios sob controle dos Houthis. O documento classificava esses encontros como "alvos militares legítimos" e acusava os Houthis de utilizá-los para recrutar crianças e jovens. O comunicado foi reproduzido por diversos veículos locais antes de ser retirado.

Dura advertência dos Houthis

Em resposta, o porta-voz das Forças Armadas do movimento Ansar Allah, general de brigada Yahya Saree, advertiu que qualquer ataque das forças do governo de Áden contra as tribos teria "consequências catastróficas e inesperadas" e que os Houthis poderiam recorrer a medidas mais contundentes, até então evitadas.

A troca de declarações ocorre em meio à escalada do conflito no Iêmen, retomado em julho de 2026 após o fim da frágil trégua em vigor desde 2022. Desde então, os Houthis intensificaram suas operações contra alvos sauditas, enquanto as forças apoiadas pela Arábia Saudita tentam conter seus avanços, incluindo a tomada da cidade portuária de Moca.