O senador independente Bernie Sanders e 12 deputados democratas dos Estados Unidos cobraram explicações do presidente-executivo da Meta*, Mark Zuckerberg, sobre suspeitas de tratamento desigual às campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas redes sociais. A iniciativa ocorre às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo.
A carta, articulada pela deputada Pramila Jayapal, questiona possíveis restrições à campanha petista e a ampliação da visibilidade de conteúdos ligados ao adversário. O documento também solicita informações sobre os mecanismos de distribuição e moderação das plataformas.
"É inaceitável que qualquer plataforma de mídia social favoreça um candidato ou partido político em detrimento de outro, deliberadamente ou não", afirmam os congressistas.
A cobrança tem como base uma apuração da Folha de S.Paulo que revelou mensagens internas de funcionários da Meta, nas quais reconhecem restrições a conteúdos de Lula e recomendações algorítmicas favoráveis ao perfil de Flávio e a um canal de WhatsApp associado à sua candidatura.
Entre os episódios citados estão a suspensão da conta de anúncios de Lula no Facebook, em setembro, e uma restrição de quase 24 horas a impulsionamentos no Instagram, no início de outubro. A campanha petista estima que cerca de 1,3 milhão de pessoas deixaram de receber anúncios.
Contatos com Trump
Os parlamentares também querem saber se a Meta manteve contatos com integrantes do governo Donald Trump sobre a eleição brasileira, o Judiciário, a regulamentação das plataformas ou a política americana em relação ao Brasil. Caso essas conversas tenham ocorrido, pedem acesso aos registros.
A carta não apresenta comprovação de que esses contatos existiram. Os congressistas solicitaram uma reunião técnica, respostas até 4 de novembro e acesso de um auditor independente aos dados internos da empresa.
A iniciativa ocorre dois dias depois de cinco organizações da sociedade civil pedirem ao Congresso americano uma investigação sobre a atuação da Meta na eleição brasileira.
Resposta da Meta
A Meta* nega qualquer interferência política na eleição brasileira e atribui os problemas identificados a falhas técnicas. A empresa afirma que incidentes semelhantes atingiram anunciantes de diferentes posições políticas e também ocorreram em outros países.
Após uma determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para garantir tratamento igualitário, a companhia informou à Justiça Eleitoral ter adotado 17 medidas, incluindo revisão humana de restrições automatizadas.
A nova cobrança amplia a pressão de parlamentares americanos sobre a atuação de empresas dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro. Em setembro, Sanders participou de uma iniciativa dirigida ao secretário de Estado, Marco Rubio, para pedir garantias de que o governo Trump respeitaria o resultado das urnas no Brasil.
*Classificada na Rússia como uma organização extremista, cujas redes sociais são proibidas em seu território.