
Rafael Correa comenta à RT a prisão de Luisa González, ex-candidata à presidência do Equador

A ex-candidata à presidência do Equador, Luisa González, foi presa, segundo diversas fontes.
O primeiro a anunciar a prisão foi o ex-presidente equatoriano Rafael Correa, que denunciou a detenção da ex-candidata à presidência por seu partido e uma das principais opositoras do atual presidente Daniel Noboa.
Em entrevista à RT, Correa afirmou que se tratava de uma "perseguição política" contra González e acrescentou que esta é "uma ditadura que não respeita nada", referindo-se ao governo de Daniel Noboa, que "está tentando aniquilar a oposição".
"Poderoso efeito"
Em sua visão, dada a proximidade das eleições municipais de 29 de novembro, nas quais González não poderá concorrer como candidata à prefeitura de Manabí após ser desqualificada pelo Tribunal de Contencioso Eleitoral, trata-se de uma tentativa de criar um "poderoso efeito perseguindo seus principais oponentes", já que os candidatos do partido governista têm obtido resultados ruins nas pesquisas.
Correa também questionou os supostos motivos da prisão, que estariam relacionados a problemas com o financiamento de sua campanha de 2023, quando concorreu contra o atual presidente, e perguntou: "O que um candidato tem a ver com isso se o candidato não tem nada a ver com os fundos?"

"Estamos vivendo uma era de impunidade absoluta", afirmou o ex-presidente equatoriano, acrescentando que o devido processo legal não foi respeitado na prisão de González e de outras figuras da oposição.
"O que deve ser feito diante disso?", perguntou Correa, ao que ele respondeu: "Teremos que resistir".
O ex-presidente denunciou que o Equador "se tornou um narcoestado". "Nos sentimos sozinhos diante da indiferença do mundo", disse.
Nas redes sociais, Correa escreveu: "Luisa González foi presa. Chega! #EquadorPrevalecerá". Segundo Primicias, fontes policiais confirmaram a prisão da líder política em Canuto, no cantão de Chone, província de Manabí, por agentes de uma unidade de investigação em Quito que a ligam a uma suposta organização criminosa.
Críticas nas Redes Sociais
Nos últimos dias, González criticou duramente Noboa nas redes sociais, abordando questões como a proposta de reduzir a iluminação pública para economizar energia elétrica, o que poderia levar a maiores riscos à segurança pública em um contexto marcado pela violência perpetrada por gangues criminosas. Ela também questionou a escassez de combustível em alguns postos de gasolina em cidades como Quito.
Ela rejeitou o suposto uso indevido de verbas públicas pelo prefeito para financiar sua estratégia de propaganda digital nas principais plataformas de mídia social, onde ele teria gasto até US$ 2,9 milhões, segundo o jornal Expreso.
Em outra de suas interações, ela falou sobre o escândalo do consultor argentino Fernando Cerimedo e denunciou a suposta existência de um esquema coordenado por Washington para atacar a esquerda regional: "[Existe] toda uma estrutura macabra entre Marco Rubio, MAGA [corrente política que cerca Donald Trump sob o slogan 'Make America Great Again'], presidentes latino-americanos que estão destruindo nossos países para transformar a América Latina em seu quintal."
