
Executivo da OpenAI financiou grupo que combate restrições à inteligência artificial

O presidente da OpenAI, Greg Brockman, e sua mulher, Anna, doaram US$ 25 milhões a um grupo político contrário a restrições ao desenvolvimento da inteligência artificial (IA) nos Estados Unidos. A informação foi publicada pelo portal Reuters.
A organização está financiando campanhas para influenciar pelo menos 48 disputas eleitorais pelo Congresso americano, enquanto executivos da OpenAI defendem publicamente regras federais de segurança para a tecnologia.
A organização Leading the Future está gastando milhões de dólares para apoiar candidatos à Câmara dos Representantes e ao Senado americano. O grupo se opõe a regulamentações que considera capazes de limitar ou atrasar o desenvolvimento da IA no país.

O financiamento provocou críticas de defensores da segurança da inteligência artificial, que questionam o compromisso dos executivos do setor com a regulamentação.
"Há líderes do setor que fazem declarações de apoio à regulamentação porque percebem a posição da opinião pública", afirmou Charlie Blaettler, da Guardrails Alliance, organização criada para se contrapor à Leading the Future.
A OpenAI esclareceu que a doação foi realizada pelos Brockman em caráter pessoal, sem representar a empresa. Em uma publicação de 2025 na rede social X, o executivo afirmou que "ser a favor da IA não significa ser contra a regulamentação. Significa ser criterioso".
Disputa regulatória
A Leading the Future apoia candidatos favoráveis a uma legislação federal que impeça os estados americanos de criar ou aplicar suas próprias regras para a inteligência artificial.
Entre eles está o republicano Andy Barr, candidato ao Senado pelo Kentucky, que manifestou apoio à medida.
O grupo também destinou recursos às campanhas das republicanas Julia Letlow, candidata ao Senado pela Louisiana, e Amanda McKinney, que disputa uma vaga na Câmara dos Representantes pelo estado de Washington.
Ambas se posicionam contra o que classificam como regulamentação excessivamente rígida do setor.
Entre os financiadores da organização estão os investidores Marc Andreessen e Ben Horowitz, que, juntamente com a empresa Andreessen Horowitz, destinaram US$ 50 milhões ao grupo, segundo registros da Comissão Eleitoral Federal dos Estados Unidos. A empresa de investimentos também possui participação na OpenAI.
A controvérsia ocorre após Brockman assinar, em nome da OpenAI, um acordo voluntário de segurança para a inteligência artificial promovido pelo presidente Donald Trump.
O compromisso prevê cooperação com auditores independentes e medidas para impedir que ferramentas de IA invadam sistemas ou acessem infraestruturas tecnológicas de maneira não prevista.
Em sentido diferente, a concorrente Anthropic destinou pelo menos US$ 40 milhões ao grupo político Public First Action, contrário à adoção de uma legislação federal que impeça os estados de estabelecer suas próprias regulamentações sobre inteligência artificial.

