O encontro entre o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, terminou após cerca de 3 horas.
O encontro ocorreu nesta terça-feira (21) no Palácio Konstantinovsky, em São Petersburgo.
As partes discutiram a resolução do conflito ucraniano, as relações bilaterais e econômicas entre Moscou e Washington, além da situação no Oriente Médio ligada ao conflito com o Irã.
Putin agradeceu a Donald Trump pelo interesse na resolução do conflito na Ucrânia, destacou que Moscou quer restabelecer a cooperação econômica com Washington.
Ele também afirmou que a Rússia está disposta a ajudar na resolução do conflito entre os EUA e o Irã.
Já o negociador americano garantiu que as conversas em Oslo, realizadas no dia anterior com a parte ucraniana, foram "produtivas" e registraram avanços.
Witkoff também expressou confiança na retomada das negociações tripartites entre Moscou, Washington e Kiev e manifestou esperança de que o líder russo considere essa possibilidade.
Em nome de Trump, o enviado da Casa Branca agradeceu a Putin a decisão sobre o acordo de diesel.
Patrocínio americano sob ameaça
O encontro entre Putin e Witkoff ocorreu em meio a um conflito acirrado entre o presidente Donald Trump e Zelensky. O presidente declarou em 19 de outubro que o líder ucraniano não está contribuindo para a resolução do conflito com a Rússia e, portanto, é hora de outra pessoa representar a Ucrânia no processo de negociação.
- Tudo começou em 9 de outubro, quando Trump afirmou que, durante sua conversa telefônica naquele dia com Vladimir Putin, eles haviam chegado a um acordo sobre o fornecimento de diesel russo. Para facilitar o acordo, o Departamento do Tesouro anunciou a suspensão temporária das sanções às entregas de diesel russo até 7 de abril de 2027.
- O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou em diversas ocasiões que o país está comprometido em buscar uma solução diplomática para a crise ucraniana. Ele ressalta, no entanto, que qualquer acordo deve garantir a segurança da Rússia no longo prazo. Segundo Moscou, isso passa por eliminar as chamadas "causas profundas" do conflito, incluindo a expansão da OTAN, vista pelo Kremlin como uma ameaça, e questões relacionadas aos direitos da população de língua russa na Ucrânia.
- A proposta russa prevê que Kiev retire completamente suas tropas das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, além das regiões de Zaporozhie e Kherson, incorporadas à Rússia após consultas populares em 2022. Também é exigido o reconhecimento desses territórios, assim como da Crimeia e de Sevastopol, como parte da Federação Russa. Além disso, Moscou defende que a Ucrânia adote um status de neutralidade, sem alinhamento militar, com a desmilitarização e a desnazificação do país.
- Ao longo do último ano, Rússia e Ucrânia realizaram diferentes rodadas de negociações diretas, além de encontros trilaterais com participação dos Estados Unidos. No entanto, o processo de paz acabou ficando estagnado.