
'Dissemina notícias falsas': Itamaraty reage às agressões de Javier Milei contra o Brasil

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, rebateu de forma contundente as recentes agressões do presidente da Argentina, Javier Milei, contra o sistema eleitoral brasileiro. Em entrevista exclusiva ao Estadão, o chanceler classificou o comportamento do argentino como "grave" e disse que o Brasil não aceitará ser culpado pelas investidas externas.
Vieira foi enfático ao responder se o presidente Lula teria dado margem para os ataques ao usá-lo como mau exemplo na propaganda eleitoral. "Em primeiro lugar, o ataque é ao Brasil, à democracia brasileira e ao sistema de voto eletrônico, a cargo da Justiça Eleitoral", afirmou.
"As agressões do presidente argentino são injustificadas e vêm de longe. Não se culpa o agredido pela agressão", acrescentou.
O chanceler também apontou que Milei não apresenta nenhuma novidade em suas críticas. "O presidente argentino sequer é original, repete notícias falsas como fez em 2022 seu compatriota Fernando Cerimedo, aliado do bolsonarismo, que atualmente está preso na Bolívia por tentativa de feminicídio", declarou Vieira.

Segundo o ministro, a disseminação de informações falsas sobre o voto eletrônico por parte de um chefe de Estado é um ato inaceitável. "É grave que o presidente de um país amigo dissemine notícias falsas sobre o voto eletrônico", reforçou.
"O modelo só produziu pobreza e recessão"
Vieira também criticou o modelo econômico argentino, que foi apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro como solução para o Brasil.
"A realidade argentina claramente mostra que não é solução, porque o modelo só produziu pobreza e recessão", concluiu o chanceler, deixando claro que o Brasil não seguirá o mesmo caminho.
Tensões em aumento
Milei já chamou Lula de "ladrão" em outubro em uma publicação nas redes sociais, acusando-o de corrupção em casos já arquivados pela Justiça.
Antes disso, em 25 de julho, durante o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, Milei chamou Lula e a esquerda brasileira de "lixo socialista" e "esquerdistas de merda".
O Itamaraty voltou a classificar as manifestações de Milei como uma "nova e inaceitável tentativa de ingerência externa" após o argentino afirmar que esperava que a "última artimanha suja da campanha" petista não envolvesse "roubar a eleição".
O ministério também defendeu o sistema eleitoral brasileiro, afirmando que ele é "comprovadamente seguro, nunca registrou irregularidades" e que a escolha do próximo presidente cabe exclusivamente ao povo brasileiro.

