Irã condena ordem de prisão dos EUA contra Raúl Castro e denuncia ação 'criminosa e ilegal'

Teerã acusa Washington de violar o direito internacional com sanções e intimidações contra Cuba e cobra responsabilização pelas consequências dessas políticas.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou as ações dos Estados Unidos contra Cuba, incluindo sanções econômicas e medidas direcionadas a autoridades da ilha. Em comunicado divulgado pela agência estatal IRNA nesta terça-feira (20), a chancelaria iraniana classificou como "criminosa e ilegal" a emissão de uma ordem de prisão contra o ex-presidente cubano Raúl Castro.

O órgão denunciou o que considera "ações intervencionistas" de Washington, incluindosanções classificadas como "desumanas" e tentativas de ameaçar e intimidar autoridades e personalidades cubanas.

Teerã rejeitou veementemente a ordem de prisão contra Castro, que governou Cuba entre 2008 e 2018. Para a diplomacia iraniana, a medida representa uma nova manifestação da política de pressão dos Estados Unidos contra o país caribenho.

O ministério também afirmou que a política de sanções, pressão e intimidação aplicada contra a população cubana há mais de sete décadas viola a Carta das Nações Unidas e contraria os princípios e normas do direito internacional e dos direitos humanos.

"Consequências catastróficas"

A chancelaria iraniana afirmou ainda que o governo americano deve prestar contas pelas "consequências catastróficas" que, em sua avaliação, essas políticas provocaram sobre os direitos humanos fundamentais da população cubana.

Por fim, o Irã expressou solidariedade ao governo e ao povo de Cuba diante do que descreveu como "ações criminosas" dos Estados Unidos e ressaltou a necessidade de respeitar a soberania nacional, a independência e o direito à autodeterminação do país caribenho.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, também condenou a ordem de prisão contra Raúl Castro, emitida por autoridades da Flórida sob a acusação de conspiração para cometer homicídio em primeiro grau. O mandatário classificou a medida como um "circo patético de Miami, com motivação eleitoral" e afirmou que ela "não tem, nem jamais terá, o menor sentido jurídico, muito menos prático".

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, por sua vez, descreveu a ordem como uma "manobra estéril" de políticos anticubanos do sul da Flórida.