
Navio com diesel russo parte rumo ao Brasil após suspensão da proibição de exportações

Um navio carregado com diesel russo deixou a Rússia com destino ao Brasil após a suspensão da proibição de exportações do combustível. A movimentação marca a retomada dos embarques para mercados tradicionais, segundo dados de transporte marítimo divulgados pela Reuters nesta terça-feira (20).
O petroleiro Leruo partiu do porto de Primorsk, no mar Báltico, em 16 de outubro, e indica Manaus como destino, conforme informações das empresas de monitoramento marítimo Kpler e LSEG.

A retomada ocorre após o fim da proibição de exportações de diesel da Rússia, medida cuja suspensão foi intermediada pelos Estados Unidos. Ao menos dois navios sinalizaram viagens para o Brasil e a Turquia nos últimos dias.
Além do Leruo, o petroleiro Dolunay deixou Primorsk em 14 de outubro transportando uma carga de diesel com destino à cidade turca de Alanya.
Brasil e Turquia são os dois maiores compradores de diesel russo desde 2023, quando as sanções ocidentais impostas contra a Rússia alteraram as rotas de exportação de petróleo e derivados de Moscou.
De acordo com dados da Kpler, a Turquia recebeu 34% dos carregamentos de diesel russo em 2026, o equivalente a 95 mil barris por dia. O Brasil respondeu por 24%, com uma média de 66 mil barris diários.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que a Rússia respondeu por US$ 1,43 bilhão (cerca de R$ 7,18 bilhões) dos US$ 1,76 bilhão (cerca de R$ 8,84 bilhões) em diesel importados pelo Brasil entre março e abril de 2026. Somente em abril, a participação russa nas compras brasileiras chegou a 89,84%, com US$ 924 milhões (cerca de R$ 4,64 bilhões) em importações.
Na sexta-feira (16), o vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, afirmou que Moscou e Washington estavam finalizando os termos comerciais e os contratos para o fornecimento de diesel russo aos Estados Unidos. O dirigente acrescentou que parte da produção russa será destinada aos mercados internacionais, conforme orientação do governo.

